A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 09/01/2021

A Constituição federal de 1988 - norma de maior hierarquia no sistema jurídico do Brasil - prevê, em seu artigo 6º, o direito à educação e à segurança pessoal como inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, substancial parcela da população se mostra leiga frente as tecnologias digitais no século XXI, o que dificulta a universalização desse direito social tão importante. Com efeito, um diálogo entre Estado e sociedade sobre os caminhos para combater o analfabetismo digital é medida que se impõe.

Em primeiro plano, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais eficazes para lutar contra a ineficácia do sistema educacional no país. Nesse sentido, sem uma norma efetiva para oportunizar educação de forma igualitária a todos, muitos continuarão vítimas do sistema e excluídos do contexto social. Ainda, sem uma política de letramento eficiente, torna-se mais difícil a inserção no mundo digital. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista Jhon Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como o direito ao sistema de educação.

De outra parte, a alfabetização é o caminho para garantir perspectiva de vida ao brasileiro. Nesse sentido, Paulo Freire desenvolveu a obra “Pedagogia do Oprimido” e defendeu que a educação seria capaz de libertar o indivíduo da opressão social. Todavia, a ineficácia do Estado para garantir, na prática, esse direito a todos, prejudica o ideal proposto pelo pedagogo, já que a defasagem educacional inviabiliza a entrada no ensino escolar e o desenvolvimento do cidadão. Desse modo, torna-se ainda mais difícil a adesão uniforme da sociedade ao mundo tecnológico. Logo, enquanto o analfabetismo digital for a regra, a igualdade será a exceção.

Ante o exposto, nota-se a carência de que os desafios do analfabetismo digital sejam, de fato, superados no país. Dessa maneira, as escolas devem viabilizar práticas computacionais, promovendo esse ensinamento para toda a população, por meio de projetos pedagógicos, como oficinas práticas, capazes de mostrar a importância desse aprendizado. Essa iniciativa poderia se chamar “Virando o Jogo” e teria a finalidade de combater os problemas enfrentados pelas pessoas que não possuem acesso a essa prática. Assim, o Brasil poderá ser, em breve, uma sociedade íntegra, justa e livre de disparidade social.