A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 09/01/2021
Na obra pré-modernista “Triste fim de Poliquarpo Quaresma”, do escritor Lima Barreto, o major Quaresma, grande admirador do país, acreditava que, se superados alguns desafios, o Brasil alcançaria o patamar de nação desenvolvida. Hodiernamente, fora da literatura, percebe-se que tal horizonte literário não mimetiza a realidade atual, visto que, o tecido social brasileiro ainda enfrenta sérios problemas, dentre eles a questão do analfabetismo digital nas conjunturas de interação pessoal. Esse âmbito de iniquidade é fruto tanto do desleixo do Estado quanto do silenciamento pessoal.
Deve-se analisar, precipuamente, que o desinteresse estatal é um fator determinante para a problemática. Segundo o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o conhecimento deve estar vinculado aos problemas do presente. Nesse viés, evidencia-se a falta de políticas públicas suficientemente efetivas para erradicar o analfabetismo digital no Brasil. Diante desse diapasão, sabe-se que esse sentido é comprovado pelo papel passivo que o Ministério da Tecnologia exerce na administração informacional da população frente as estruturas digitais. Nessa égide, é visível que tal órgão intitulado para promover a potencialização inclusiva de todos os indivíduos nas esferas tecnológicas, ignoram ações que, poderiam, realmente, fomentar uma melhor capacitação educacional sobre as formas digitais. Diante disso, o governo atua como agente perpetuador do analfabetismo funcional. Logo, é substancial a dissolução desse panorama infrente.
É vital salientar, ainda, em segundo plano, que o analfabetismo digital no Brasil encontra terreno fértil no silenciamento da população. Acerca dessa assertiva, Habermas faz uma contribuição dizendo que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Sob essa óptica, para que haja a exclusão do impasse discutido, é necessário discutir sobre. No entanto, verifica-se certa lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada, pois a população se mantém passiva e calada diante tal problematização, além do que, conforme o levantamento do Portal G1, em 2019, 38,7% da população não sabe manusear os instrumentos digitais. Nessa lógica, trazer à parte essa patologia e debatê-la, amplamente, aumentaria a chance de atuação nela .
Portanto, pela perspectiva de Isaac Newton, uma força só é capaz de sair da inércia se outra lhe for aplicada. Em vista disso, depreende-se o Poder Público, como instância máxima da administração executiva, em consonância com o Ministério da Tecnologia, por meio de ações: palestras, publicações em redes sociais, propagandas televisíveis e bate-papos nos centros urbanos, orientar toda parcela populacional sobre as formas do mundo digital e como usá-lo adequadamente, para que, de tal forma, o analfabetismo possa ser excluído. Assim, os ideais do major Quaresma poderão ser evidenciados .