A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 14/01/2021

Conforme o Artigo 6º da Constituição do Brasil, o acesso à educação é um direito social que deve ser resguardado a todos os cidadãos. Porém, infelizmente, nas plataformas digitais, a população se apresenta bastante vulnerável devido à falta de acesso a educação digital. Nesse sentido, é necessário compreender as razões que levam o país a ainda enfrentar esse problema, bem como as ações capazes de mitigarem tal situação.

Em primeira análise, as desigualdades sociais presentes no país acarretam o acesso desigual à educação formal. Nesse contexto, a origem do indivíduo determina sua probabilidade de obter acesso ao conhecimento: de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em pesquisa divulgada em 2018, uma criança residente na zona rural de Santa Catarina, oriunda de um lar cuja renda principal provém de uma mãe negra, possui apenas 22% de chance de conluir o segundo grau. Por outro lado, uma criança que mora na zona urbana do mesmo estado, e que a renda principal provém de um pai branco, possui 79% de chance de concluir o nível médio. Indubitavelmente, a nação não superou o analfabetismo funcional, que se apresenta como motor do analfabetismo digital no país.

Em segunda análise, o século XXI tem sido marcado como o período da desinformação: segundo o artigo “Como as Mentiras se Espalham”, produzido pelo Instituto de Tecnologia de Massachussetts (MIT) e publicado em 2018 na revista Science, uma notícia falsa tem 70% mais chance de ser compartilhada nas redes sociais do que uma notícia verdadeira. Assim, a todo momento, os usuários das redes recebem uma série de informações e precisam utilizar seus conhecimentos e seu senso crítico para avaliar a veracidade dos fatos que lhes são apresentados. Ademais, segundo o documentário “O Dilema das Redes” (2020), os algorítmos são programados para entregar às pessoas  postagens parecidas com suas próprias ideias, de forma que nunca saem do senso comum. Desse modo, comunidades preconceituosas são formadas e pensamentos extremistas são disseminados.

Portanto, para formar cidadãos informados acerca das ferramentas digitais, é necessário democratizar o acesso e incentivar o uso crítico e consciente das redes. Para tanto, o governo federal deve ampliar programas assistencialistas que visam reduzir as desigualdades sociais do país, tais como o Bolsa Família. Outrossim, o Ministério da Educação deve, por meio de diretrizes no Plano Nacional do Ensino Médio e no Plano Nacional da Educação Básica, aderir ao ensino de boas práticas nas redes, tais como a utilização de ferramentas de informática básica e a análise de fontes de meios de informação. Somente assim, o acesso à educação, direito garantido na Carta Magna brasileira, será resguardado a todos os brasileiros na era digital.