A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 09/01/2021
A terceira revolução industrial é marcada por diversas mudanças socioculturais na sociedade mundial, sendo a mais notável e marcante o avanço da tecnologia e a popularização da rede de informação e comunicação. Nessa ótica, no contexto brasileiro tal perspectiva não se faz presente, uma vez que o Brasil possui a questão do analfabetismo digital ainda recorrente. Desse modo, caba analisar a desigualdade socioecônomica no acesso à internet e a má qualidade da educação brasileira.
Em primeira instância, é válido analisar a disparidade tecnológica. Nesse contexto, o Brasil está entre as 10 nações mais desiguais do mundo e apresenta 170 milhões de habitantes sem acesso à internet, de acordo com o Índice de Gini e o IBGE, respectivamente. Dessa forma, uma grande parcela da população, devido a sua condição social, é impossibilitada de se adaptar às características de um Brasil afetado pela terceira revolução industrial, aumentando, deste modo, a dificuldade de inserção no mercado de trabalho, inclusão social e, consequentemente, agravando os problemas com analfabetismo digital. Constata-se, assim, inadmissível que esse cenário continue a pendurar no país.
Ademais, é válido analisar a baixa qualidade do ensino brasileiro como impulsionador do problema a ser combatido. À vista disso, o Brasil ocupa a décima segunda posição na economia mundial, logo, seria racional acreditar que o país possui uma eficiente rede de ensino. Conquanto, na realidade brasileira esse ideal não é concretizado, pois as instituições de ensino não apresentam uma formação para os alunos dominarem as ferramentas tecnológicas atuais. Desse modo, em consonância com o pensamento de que o indíviduo é aquilo que a educação faz dele, proposto por Immanuel Kant, é de vital importância a modificação do atual ensino tradicionalista brasileiro, por um que atenda as novas necessidades advindas com a terceira revolução industrial.
Urge, portanto, que a questão do analfabetismo digital seja combatida no Brasil. Desse modo, cabe ao Ministério da Educação, por meio da alteração na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, modificar a didática pedágogica, afim de instigar o aprendizado estudantil, sobretudo, acerca de como utilizar os aparelhos tecnológicos. Outrossim, o governo deve investir em regiões menos favorecidas economicamente, para proporcionar condições igualitárias de acesso à internet. E assim, o analfabetismo digital poderá ser mitigado no Brasil.