A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 10/01/2021
O Marco Civil da Internet, lei brasileira aprovada em 2014, estabelece o acesso à internet como essencial para o exercício da cidadania. Contudo, parte da população do Brasil é incapaz de usufruir dessa tecnologia por ser o que se classifica como analfabeta digital, e está sujeita, por consequência, à fragilização de sua condição cidadã. Logo, fica evidente a necessidade de se combater o analfabetismo digital no Brasil, conjuntura problemática que é sustentada tanto pela limitação financeira do acesso a recursos tecnológicos, quanto pela carência de instrução popular acerca dos mesmos.
Em primeiro plano, deve-se ressaltar que a desigualdade social no Brasil impede que toda a população tenha contato igualitário com a tecnologia. Sobre isso, o geógrafo Milton Santos afirma, no texto “Cidadanias Mutiladas”, que só assumem o papel pleno de cidadãos aqueles que têm poder de consumo, enquanto os menos favorecidos economicamente são constantemente privados dos seus direitos. Nessa lógica, muitas pessoas pobres são excluídas do meio tecnológico devido à falta de condições financeiras para adquirir equipamentos eletrônicos e, pela falta de familiaridade, não aprendem a utilizá-los, tornando-se vítimas potenciais do analfabetismo digital. Visto isso, não é aceitável que esse grupo continue a ter seus direitos mutilados por razões econômicas.
Sob outra análise, a falta de políticas públicas que visem educar a população a respeito do funcionamento e do uso correto dos aparatos tecnológicos favorece o avanço do analfabetismo digital. Nesse sentido, o artigo 205 da Constituição Federal Brasileira determina que um dos objetivos da educação no país é preparar o indivíduo para exercer a cidadania, ato que exige o domínio ao menos básico das tecnologias de informação, portanto, é possível perceber que a formação de analfabetos digitais decorre também da falha do governo do Brasil em instruir adequadamente o povo. Dessa forma, a inércia das autoridades públicas é responsável pela perpetuação do problema no país e contribui para aprofundar a situação de vulnerabilidade social dessas pessoas.
Sendo assim, é essencial a adoção de medidas governamentais que objetivem mitigar o analfabetismo digital no Brasil. Por conseguinte, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Cidadania, deve estudar as cidades com maior indíce de analfabetos digitais e financiar nelas a construção de espaços públicos munidos de computadores com acesso gratuito à internet. Ainda, nesses mesmos locais devem ser oferecidas aulas - também gratuitas e com linguagem simplificada - de informática e de tecnologia da informação. Tais medidas têm o fim de aproximar a população como um todo dos aparelhos tecnológicos e de ensiná-la a usá-los de forma segura. Dessa maneira, o analfabetismo digital poderá ser combatido, o que favorecerá o pleno exercício da cidadania no Brasil.