A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 10/01/2021

Já se passaram mais de 500 anos desde que Pero Vaz de Caminha necessitou de uma pena e de papel para se comunicar com a coroa portuguesa, para realizar sua descrição das terras “descobertas”. Desde então, a tecnologia evoluiu bastante e com ela os meios de comunicação. Entretanto, ainda persiste a existência de pessoas que são incapazes de decodificarem as informações presentes nesses meios de comunicação, assim como também haviam na época de Caminha. Nesse viés, é de suma importância que todos os brasileiros sejam capazes de dominarem a digitalização da informação, pois, só assim ela será universalizada e haverá o fim do analfabetismo digital no Brasil.

Inicialmente, é válido ressaltar que o analfabetismo digital no Brasil sofre influência da grande quantidade de analfabetos funcionais existentes. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), mais de 20% dos brasileiros podem ser considerados analfabetos funcionais. Segundo a Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Suíça e Dinamarca apresentam uns dos menores índices de analfabetismo funcional do mundo. Conforme a União Internacional de Telecomunicação (ITU), Suíça e Dinamarca apresentam baixos números de analfabetos digitais. Logo, pode-se concluir que a ineficácia das politicas educacionais brasileiras em superar a persistência maciça do analfabetismo funcional em sua população, acaba por influenciar negativamente a superação desse problema contemporâneo que é o analfabetismo digital.

Além disso, a incapacitação digital gera exclusão socioeconômica de grande parte dos brasileiros e os torna vítimas em potencial de criminosos. Em conformidade com dados do Ministério da Economia, cerca de 2 milhões de brasileiros não foram beneficiados pelo auxílio emergencial por não terem procurado o serviço. Especialistas acreditam que essa inércia se deve à falta de informação ou à incapacidade de manusear as tecnologias digitais. Ademais, inúmeros foram os casos de fraudes nesse programa governamental, em virtude de criminosos terem se aproveitado do analfabeto digital para se beneficiarem dos seus recursos. Em suma, a incapacitação digital segrega diversos brasileiros e permite que eles sejam explorados pelos mais hábeis.

Portanto, é imperioso que o analfabetismo digital seja tratado com seriedade no Brasil. Nesse sentido, o Governo Federal, por meio do Ministério da Educação (MEC), deverá criar programas de capacitação, a fim de universalizar o conhecimento digital e empoderar a população como um todo. Para tanto, mediante informações contidas nos bancos de dados do IBGE, será realizada uma análise de quais áreas apresentam maiores incidências de analfabetismo digital e serão direcionados maiores esforços para esses lugares, em forma de cursos teóricos e práticos.