A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 10/01/2021

¨De acordo com renomado geógrafo Milton Santos, no texto ¨As cidadanias multiladas¨, a democracia só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social, ou seja, na medida em que os direitos são universais e desfrutados por todos os cidadãos. Conquanto, o que se observa na realidade contemporânea brasileira é o oposto do que o autor prega, uma vez que uma grande parcela da população é considerada analfabeta digital, mostrando que não há uma plena universalização desse direito. Esse panorama alarmante requer medidas mais arrojadas do Poder público e da sociedade civil com o fito de garantir a plena integração da sociedade.

Em uma primeira análise, é imprescindível pontuar a carência de medidas governamentais para combater o analfabetismo digital. Isso é nagativo, pois vive-se em um século marcado por inovações tecnológicas, cabendo as autoridades competentes proporcianar o livre acesso das ferramentas digitais, uma vez que tal inovação entra em contato com a sociedade. No entanto, infelizmente não é o que se presencia hodiernamente no Brasil, no qual, segundo a revista inglesa The Economist, o país ocupa a 16º posição dentre os 50 países com piores índices de analfabetismo tecnológico. Essa realidade alarmante gera uma certa segregação social, em que alguns indivíduos possuem e sabem usufruir da tecnolgia impulsionando seus objetivos, enquanto outros são prejudicados por não saberem desfrutar.

Ademais, é fulcral apontar o despreparo educacional de cunho tecnológico como impulsionador da analbabetização virtual de muitos brasileiro, uma vez que por não terem um preparo desde cedo nas escolas, os jovens acabam sendo excluídos de uma parte da população que tem esse pleno acesso. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo iluminista John Locke, compreende-se como uma violação do ¨contrato social¨, já que o Estado não está cumprindo a função de permitir que seus cidadãos desfrutem de direitos essenciais para uma efetiva inclusão digital. Logo, é inaceitável que esse cenário tão evidente e lastimável no país continue a perdurar, de maneira que uma urgente mudança na postura estatal para com a sociedade se faz necessária para reverter essa problemática.

Destarte, é notório que medidas mais arrojadas são importantes para combater esses obstáculos. Para isso, o Governo Federal em parceria com o Tribunal de Contas da União deve direcionar mais verbas com a finalidade de trazer um essencial aparo tecnológico para as escolas desprovidas de tal ferramenta, bem como a criação de cursos para uma maior capacitação dos profissionais da educação, promovendo uma maior inclusão digital dos jovens desde cedo. Além disso, o Ministério das Comunicações deve mediar parcerias público-privadas de modo a democratizar o acesso a internet a toda a população, atingindo-se então a efetiva inclusão desse direito a todos, como disse Milton Santos.