A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 10/01/2021
A Terceira Revolução Industrial, cujo cerne foi o desenvolvimento de tecnologias de informação e comunicação, redimensionou o papel do homem na sociedade, além de transfigurar as bases do processo produtivo. Paralelamente, na hodierna conjuntura brasileira, é inegável o progressivo avanço tecnológico no campo social; entretanto, consoante ao filósofo Pierre Lévy, toda nova tecnologia gera seus excluídos. Desse modo, vigora a questão do analfabetismo digital, resultante não só das bases arcaicas de ensino, mas também da desigualdade socioeconômica do país. Assim, faz-se necessário analisar e mitigar as causas que contribuem para a continuidade da problemática em território pátrio.
Em primeiro plano, segundo a pedagoga Vera Maria Candau, o sistema educacional atual está preso nos moldes do século XIX e não oferece propostas significativas para as inquietudes vigentes. Nesse sentido, o ensino técnico empregado nas escolas, pautado apenas nas matérias tradicionais de conhecimento, limita a essencial aprendizagem dos alunos acerca das novas tecnologias -tendo em consideração o contexto globalizado brasiliense. Com efeito, a inibição da educação digital corrobora tanto a hiperbólica credibilidade dada às Fake News quanto aos acontecimentos de cibercrimes. Por isso, é urgente a mudança nas grades curriculares, a fim de apontar o ensino tecnológico entre os demais conteúdos convencionais.
Em segundo plano, de acordo com o filósofo Pierre Bourdieu, a estrutura social é apresentada como um sistema hierarquizado de poder e privilégio. Sob tal óptica, a indubitável disparidade econômica do país e, consequentemente, a privação do acesso à internet de vários setores do corpo coletivo, torna ainda mais alarmante a questão do analfabetismo digital. Nesse ínterim, dados do G1 informam que 45,9 milhões de brasileiros não possuem formas para a introdução na web. Logo, urge a imprescindibilidade de enfrentamento da desigual distribuição do usufruto das plataformas tecnológicas.
Evidencia-se, portanto, que medidas devem ser tomadas com o intuito de liquidar o analfabetismo digital no Brasil. Para isso, é mister o Ministério da Educação promover alterações nas bases de ensino das instituições educacionais, por intermédio do estabelecimento de disciplinas que abordem conceitos sobre a educação digital; dessa forma, é pertinente que tal conteúdo seja ministrado por docentes especializados em tecnologia informacional, com a finalidade de formar estudantes fluentes e capacitados para o mundo cibernético. Concomitantemente, é fundamental a ação governamental para o alcance da equiparidade do acesso à internet na sociedade, por meio da aplicação organizada das finanças brasileiras, na promoção de computadores, redes e cursos de informática básica. Por fim, o analfabetismo digital será superado do país, bem como suprimidos os dizeres de Lévy.