A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 10/01/2021

Marco do início do século XX, a Segunda Guerra Mundial, após 1945, a partir das inovações científicas, possibilitou a formação de um contexto hodierno indissociável da tecnologia. No entanto, é indubitável que tal proposta da modernidade, no Brasil, ainda não é efetiva, tendo em vista o analfabetismo digital. Esse cenário nefasto revela um problema grave corroborado não só por assimetrias socioeconômicas, mas também por uma educação lacunar.

Nesse sentido, é importante destacar as assimetrias presentes na contemporaneidade. Nessa perspectiva, o geógrafo brasileiro Milton Santos, em sua obra “Por uma Outra Globalização”, atesta o atual processo de evolução informacional como responsável por agravar a exclusão de vulneráveis. Analogamente, em meio a um cenário que demanda cidadania digital, capacidade de interagir nas plataformas, seja para obter informações ou execer direitos, a marginalidade de pessoas carentes expõe o descaso estatal em superar a disparidade quanto à necessidade de insersão dos indivíduos a uma sociedade em que o acesso aos meios virtuais é precípuo. Portanto, é inquestionável que a inabilidade de contato com os ítens provenientes da robótica é resquício de uma situação deletéria de negligência.

Ademais, é necessário ressaltar a manutenção de um sistema de ensino ultrapassado. Nesse viés, a pedagoga Vera Maria Candau, em seu livro “Reinventar a Escola”, compreende o método difundido nas instituições educacionais como retrógrado, uma vez que não permite ao corpo docente, mesmo no século posterior a Segunda Guerra, assimilar as inovações socioculturais. Sob essa óptica, a diminuta tematização da informática subverte a função inerente ao processo de instrução — preparar cidadãos competentes para a sociedade —, o que suscita o analfabetismo digital, uma vez que o  restrito contato torna a incompreensão das mídias recrudescente. Logo, é incontrovertível que, devido a uma abordagem defasada, a orientação sobre os recursos virtuais é vilipendiada.

Dessarte, ante a vulnerabilidade socioeconômica e instrucional, urgem mecanismos em prol de associar, qualitativamente, a sociedade ao contexto tecno-científico. Para isso, é fulcral que o Ministério da Educação, associado ao Ministério do Desenvolvimento Regional, difunda uma erudição tecnológica ampla àqueles necessitados. Isso deve ocorrer por intermédio tanto da adesão da informática na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), quanto da formação de redes de assistência em bibliotecas públicas com acesso à internet em áreas periféricas, com o fito de mitigar o analfabetismo digital pela orientação e pela democratização no acesso aos recursos virtuais. Assim, as inovações da Grande Guerra, tornar-se-ão, de fato, inerentes à realidade brasileira.