A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 15/01/2021

Analfabetismo digital

A Constituição Federal de 1988 prevê em seu artigo 6 o direito a educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Entre- tanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa o avanço do analfabetismo digital, que evidencia o descompasso entre a política educacional e os avanços tecnológicos. Nesse contexto, surge a problemática do des- preparo em relação ao uso consciente das tecnologias, a facilidade de acesso a dados pessoais e a insegurança no uso da internet, agravados pela falta de fiscalização.

Em primeiro plano, é indubitável que a questão constitucional e sua aplicação aplicada entre as causas do problema. Confirme Einstein, “Se tornou aparentemente óbvio que a tecnologia excedeu nossa humanidade”. De maneira semelhanteoga, é possível perceber que o sistema capitalista exige o contato com o mundo tecnológico ao passo que não garante o conhecimento do que estamos lidando, ocasionado pelo sucateamento da educação e a elitização da mesma. Assim, a problemática do analfa- betismo digital é uma das raízes da estratificação econômica vigente no mundo.

Em segundo plano, no Brasil, a ineficiência das leis e a falta de fiscalização por parte dos órgãos públicos possibilita ciber- crimes de diferentes intenções, causando uma vulnerabilidade no ambiente digital. Em agosto de 2020, Sara Winter expôs uma menina de 10 anos grávida vítima de abuso sexual, buscando impedir a interrupção da gravidez autorizada pela Justiça. Assim, fica claro que a difusão facilitada das informações pela internet é um fator que deve ser posto em discussão visto a necessidade de uma conscientização àqueles que tem acesso ao mecanismo. Dessa forma, faz-se necessário que haja um sistema de proteção online e um monitoramento da troca de informações na internet.

Logo, medidas são necessárias para mitigar o impasse. Cabe ao Ministério da Educação - responsável pelo controle educacional brasileiro - acrescentar a educação digital no grau curricular das instituições escolares, assim como organizar palestras e feiras que discutam a complexidade do mundo online e sua insegurança, e também cabe aos governos o investimento na segu- rança de dados e informações privadas. Ademais, uma sociedade deve discutir melhor a veracidade das informações antes de dissimina-las, a fim de atenuar o analfabetismo digital e a desinformação. Assim, poder-se-á transformar o Brasil em um país melhor desenvolvido em relação à educação, que se distancia menos da Constituição Federal.