A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 12/01/2021

Em sua obra ‘‘O Cidadão de Papel’’, o escritor Gilberto Dimenstein retrata que a cidadania está garantida apenas na Constituição, mas não existe de verdade. Essa conclusão é uma realidade, pois o desemprego, a fome e a violência afetam todas as idades. Nesse sentido, a sociedade também é abalada pelo analfabetismo digital, que se caracteriza pela ausência de manuseio para com os mecanismos tecnológicos. Isso ocorre devido às desigualdades socioeconômicas brasileiras, e também ao baixo acesso às ferramentas digitais.

Em uma primeira análise, é importante destacar que o Brasil é desigual. A nação possui indíce Gini 53,3, o qual mede o nível de concentração de renda nos países. Quanto mais próximo o número está do 100, maior é a inequidade. Nesse sentido, a cruel disparidade econômica faz com que uma parcela da população não tenha um acesso deliberado ao ciberespaço, o que inibe sua adaptação com este. Com isso, parte da sociedade brasileira, devido à condição social, fica impedida de ter acesso aos meios digitais, fator que agrava os índices de analfabetismo digital no Além disso, outro fator que amplia a falta de manejo das novas tecnologias é o baixo acesso a estas. De acordo com dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil é o segundo país com a menor quantidade de computadores por escola, cerca de 0,2 por aluno. À vista disso, é imperativo que essa realidade mude, já que o dever das instituições de ensino é garantir a aprendizagem e educação, principalmente no que tange ao uso de aparatos tecnológicos.

Portanto, infere-se que é necessário haver uma maior democratização no acesso às tecnologias. Desta forma, cabe ao Ministério da Educação (MEC), órgão máximo no que diz respeito às políticas educacionais, introduzir novos métodos eficazes, que visem à promoção da alfabetização tecnológica, por meio da redistribuição de verbas a escolas, a fim de diminuir o número de analfabetos digitais no Brasil.  Por conseguinte, as instituições de ensino funcionarão como um espaço para a socialização.