A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 15/01/2021
Desde 2011, a Organização das Nações Unidas (ONU) tornou o acesso à internet um direito fundamental de todo cidadão. Entretanto, quase uma década depois, o governo brasileiro ainda falha não só na garantia desse direito em toda a sua extensão territorial, mas também na chamada educação digital. O Brasil permanece com um dos maiores índices de analfabetismo digital da América Latina. Como consequência, tem-se a acentuação da exclusão e o impedimento à ascenção social, em tempos em que habilidades digitais são primordiais para o mercado de trabalho. Necessita-se, portanto, de ações que mudem efetivamente tal cenário.
Em primeira análise, cabe ressaltar que o analfabetismo digital coloca famílias inteiras à margem da sociedade. No ano de 2020, com a pandemia do novo coronavírus, foi possível notar como o acesso desigual à internet pode segregar a sociedade. Prova disso foram os planos de educação emergencial, em que as escolas particulares seguiram com o calendário letivo com as aulas para a modalidade online, enquanto nas escolas públicas, apesar das tentativas, esse plano não funcionou. Afinal, mesmo as crianças que conseguiam acesso à internet muitas vezes não tinham um adulto em casa que soubesse auxiliá-las.
Além disso, as consequências da segregação culminam no impedimento da ascenção social. De acordo com uma matéria divulgada pela Rede Globo de Televisão na segunda semana de janeiro de 2021, as profissões da área da tecnologia serão as de maior demanda neste ano. Nesse mesmo sentido, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada aponta essas profissões na lista das mais bem pagas no mercado brasileiro. A alta demanda da área, frente ao grande número de analfabetos digitais, torna-se um paradoxo. Sem acesso à educação de qualidade, muitas pessoas serão impedidas de ascender socialmente por ficarem condicionadas a profissões de baixa qualificação.
Portanto, é clara a necessidade de investir em medidas que possam efetivamente mudar esse cenário. Cabe ao governo federal criar medidas de inclusão digital que atendam aos diferentes cenários brasileiros. Por meio do Ministério da Edicação, deve-se não só investir na inserção da educação digital no currículo da educação básica, mas também garantir que todos os estudantes tenham o acesso a computadores e à internet. Para tal, o primeiro passo é proprorcionar a formação adequada dos professores, por meio de cursos de atualização ministrados presencialmente pelas secretarias regionais de educação, além de equipar as escolas públicas com materiais de qualidade. Só assim poder-se-á diminuir a segregação e retirar o Brasil do sombrio pódium do analfabetismo digital.