A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 27/01/2021

Segundo um relatório anual elaborado pela revista britânica The Economist, em 2019, o Brasil ficou em 66º lugar dentre 100 países que tiveram sua alfabetização digital - nível de habilidade para o uso da tecnologia digital - analisada. Este fato agrava-se ainda mais não só devido a desigualdade social, mas também pela falta de preparo na esfera educacional, fazendo do Brasil um dos países com mais analfabetos digitais do mundo.

Não obstante a Constituição Federal, em seu artigo terceiro, ter determinado que “são objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais”, o país brasileiro é o nono lugar mais desigual do mundo - de acordo com o Banco Mundial. Tal desigualdade é atestada pelos dados do IBGE divulgados em 2019, os quais dizem quem 13,7 milhões de brasileiros vivem abaixo da linha da extrema pobreza. Dessa forma, fica evidente que a familiaridade com o ciberespaço para grande parte da população é infactível, visto que a desigualdade social resulta na falta de acesso e, consequentemente, torna impossível para estas pessoas a adaptação ao uso desse aparato.

Outrossim, é primordial ressaltar a falta de uma educação de qualidade e formadora como um dos fatores que legitimam a continuidade desse problema. Parafraseando o grande historiador Roger Chartier, “a escola deve funcionar de modo a ser uma ponte em que o poder público intervém na formação da sociedade, inclusive no âmbito digital”. Entretanto, no Brasil, esse ideal não se faz presente, haja vista que as instituições de ensino não ofertam uma formação para os alunos dominarem esta ferramenta. Destarte, enquanto não houver uma mudança no ambiente escolar no sentido de melhor capacitar seus discentes, o entrave do analfabetismo na seara tecnológica permanecerá em nosso país.

Portanto, fica clara a necessidade de ações interventivas para conter o analfabetismo digital. Para isso, o governo deve investir nas regiões menos favorecidas, como nas periferias e zonas rurais. Ademais, é imperativo salientar o dever do Ministério da Educação, órgão responsável pelo sistema educacional brasileiro, por meio da criação de cursos gratuitos de informática, melhor capacitar os professores para que estes, por sua vez, possam promover a alfabetização digital nas salas de aula.  Feito isso, o Brasil poderá gradualmente mudar o cenário exposto pelo relatório da revista The Economist.