A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 14/01/2021

A revolução Técnico-Científica-Informacional do século XX possibilitou diversos avanços na humanidade, sobretudo, no âmbito da tecnologia. Contudo, no cenário atual, observa-se a configuração de problemas relacionados à questão do analfabetismo digital no Brasil. Diante disso, cabe destacar que tal adversidade é conduzida tanto pela desigualdade social, quanto pela insuficiência governamental.

A princípio, é válido discernir que o acelerado e desordenado processo de êxodo rural não foi acompanhado pela infraestrutura urbana e logo desencadeou uma série de problemas sociais, entre eles, a desigualdade. Nesse sentido, essa disparidade é um fator determinante na problemática, uma vez que, na ausência de boas condições financeiras e, muitas vezes, pelo contexto tecnológico não se encaixar em sua realidade, esses indivíduos acabam desinteressados em adquirir conhecimentos relacionados a aparelhos digitais. Nessa lógica, conforme o pesquisador em ciência da informação e da comunicação, Pierre Lévy, “toda nova tecnologia cria seus excluídos” e entre esses suprimidos está a parcela social economicamente vulnerável.

Ademais, convém ressaltar que o direito a todas as formas de educação, incluindo a virtual, é previsto pela Constituição Federal de 1988. Entretanto, conforme dados do Relatório anual The Inclusive Internet Index 2019, o Brasil ocupa a 66° posição no quesito da alfabetização tecnológica. Dessa forma, evidencia-se o descaso estatal no que se refere à prestação de acompanhamento educacional digital no Brasil. Nesse viés, conforme o sociólogo Durkheim, “o indivíduo só poderá agir na medida que entender o contexto no qual está inserido”. Desse modo, a falta de incentivo e orientação das autoridades no que diz respeito ao uso da web reflete diretamente no analfabetismo virtual da população.

Portanto, são necessárias ações para atenuar os impasses na alfabetização digital no Brasil. Nesse contexto, urge ao Ministério da Educação, mediante verbas governamentais, promover palestras e campanhas educativas em escolas e praças públicas, ministradas por pessoas especializadas na área da tecnologia. Nesse prisma, esses profissionais devem ensinar, por meio de uma linguagem adaptada ao público leigo, como adentrar e se beneficiar do meio cibernético. Dessa maneira, as pessoas seriam orientadas e instruídas ao meio tecnológico e, assim, o problema seria resolvido de maneira eficaz e democrática.