A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 12/01/2021

De acordo com Steve Jobs, magnata americano, a tecnologia move o mundo. Todavia, essa mudança não é sempre positiva , pois a rapidez de sua evolução faz com que os indivíduos - muitas vezes- não consigam acompanhá-la, criando, então, os analfabetos digitais. Isso pode ser visto no Brasil, uma vez que diversos cidadãos lidam diariamente com o desconhecimento virtual. Nesse sentido, é lícito destacar a assimetria socioeconômica e a ausência de ensinamento escolar como causas para esse problema, as quais serão solucionadas pelo Ministério da Educação (MEC) pelo da Cidadania (MDS).

É sabido, antes de tudo, que a desigualdade social valida a persistência do analfabetismo digital. Segundo o Índice de Gini, medidor das disparidades econômicas dos países, o Brasil está entre as 10 nações mais discrepantes no que diz respeito à economia.Nesse viés, tal dado demonstra a fragilidade democrática brasileira, visto que, se o acesso aos recursos básicos à sobrevivência -previstos pela Constituição Federal de 1988- não são distribuídos uniformemente, as necessidades secundárias, bem como a internet, não serão uma prioridade estatal. Assim, a ausência de contato com as mídias sociais inviabiliza tanto o aproveitamento pleno delas, quanto a obtenção de informações variadas. Dessa maneira, nota-se que o ciclo vicioso, iniciado pela assimetria financeira e  retroalimentado pela exclusão virtual, deve ser combatido para que seja possível atingir a alfabetização cibernética.

Ademais, convém destacar que a falta de formação escolar é um fator ao desconhecimento digital. Conforme Paulo Freire, em sua obra “Pedagogia do Oprimido”, a educação é capaz de libertar os indivíduos. Contudo, percebe-se o exato oposto, no Brasil, no que tange ao ensinamento e ao uso das novas tecnologias nas escolas, visto que elas não possuem um projeto voltado à harmonia entre aprendizado e internet. Essa postura revela que tal instituição trava uma verdadeira “guerra” contra os celulares, na medida em que obriga os alunos a não usarem-nos durante as aulas, não oferecendo ensino  aprofundado sobre o uso correto e seguro  Dessa forma, tal cenário vai de encontro com o que o teórico afirmou, haja vista que os colégios não estão libertando os discentes do analfabetismo virtual.

Torna-se claro, portanto, que a alfabetização digital não é uma realidade nacional. A fim de reverter esse panorama, é fundamental que o MEC, órgão responsável pelos aspectos educacionais, reformule a BNCC, adicionando aulas de informática que vão do ensino fundamental ao médio, contando com a presença de profissionais da área, os quais serão contratados por meio do repasse de verbas da União.Outrossim, o MDS oferecerá oficinas à população, ensinando-a sobre como usar as ferramentas básicas da internet. Assim, será possível reduzir esse problema no país e enxergar o mover positivo da tecnologia.