A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 12/01/2021

Segundo o pensador britânico Thomas H. Marshall, a plena cidadania só é estabelecida quando os direitos civis, sociais e políticos são assegurados. No entanto, a realidade brasileira é distinta da lógica sociológica, visto que parte da população não tem acesso à informação vinculada pelos meios cibernéticos. Desse modo, é necessário discutir sobre a questão do analfabetismo digital no Brasil, de forma a pontuar a exclusão virtual e a restrição dos direitos.

A princípio, é importante ressaltar a falta de assistência e de infraestrutura como causa do analfabetismo digital no Brasil. Essa prepotência é evidenciada pelo sociólogo francês Pierre Lévy, o qual retrata que toda nova tecnologia gera seus excluídos. Visto isso, a sociedade vulnerável e sem condições socioeconômicas não é inclusa no meio virtual, de modo a não conhecer suas técnicas e seus acessórios. Como exemplo disso são os moradores das zonas rurais e os indivíduos com baixo poder aquisitivo. Logo, a falta de conhecimento digital é reflexo da desigualdade social e territorial do país.

Ademais, a limitação da cidadania é consequência do analfabetismo cibernético nacional. Assim, de acordo com o conceito de ‘‘Subcidadania’’, do sociólogo brasileiro Jessé Souza, parte da população fica à margem dos direitos básicos, essa vive desprezada pela máquina estatal. Sob tal perspectiva, os indivíduos que não conhecem a plataforma virtual não alcançam às informações necessárias e ficam refém da situação de descaso estatal. Isso ocorre porque essas redes além de oferecerem a comunicação é a porta dos movimentos sociais. Dessarte, enquanto a população vulnerável não tiver o direito constitucional garantido, continuará numa condição subcidadã.

Portanto, foram discutidas as causas e consequências sociais da questão do analfabetismo digital no Brasil. Por isso, o Ministério da Cidadania - órgão responsável pela inclusão nacional - deve garantir o direito do acesso à informação oferecido pelas plataformas virtuais, por meio da promoção de infraestrutura à população desamparada, como salas públicas de informática com professores capacitados na área e na disponibilização de internet em zonas afastadas. Essas medidas têm a finalidade de acabar com o desconhecimento virtual no país e, consequentemente, a situação subcidadã, de forma a promover os direitos alegados por Marshall.