A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 11/01/2021
De acordo com o Magnata Steve Jobs, a tecnologia influência o cotidiano e as interações dos indivíduos. Contudo, no Brasil, devido ao analfabetismo digital, tal relação torna-se discriminatória, haja vista que a inserção na atual dinâmica mundial é ainda mais difícil. Diante disso, cabe analisar a acentuada desigualdade social e a ineficiência educacional como agravadores desse cenário no país.
Em primeiro lugar, evidencia-se que a disparidade socioeconômica observada na nação é um dos principais causadores da discriminação de analfabetos digitais. Isso ocorre devido à alta concentração de renda e à negligência Estatal em relação à superação de tal desafio. Sob esse viés, segundo o Índice de Gini- órgão cuja função é analisar o desenvolvimento dos países-, o Brasil está entre os dez países mais socialmente desiguais do mundo, o que torna desfavorável a inserção de grande parcela da população no mundo tecnológico e globalizado, uma vez que os recursos financeiros dela são escassos e a prioridade é a sobrevivência. Portanto, nota-se que a dificuldade em aprender os preceitos digitais, atrelada à desigualdade, agrava a problemática e acentua a segregação na sociedade brasileira.
Ademais, interessa, ainda, frisar que que ausência de uma educação formadora dificulta o aprendizado. Isso acontece em virtude de muitas pessoas terem idade avançada e fora do período de formação acadêmica quando o ciberespaço foi introduzido, além da quase inexistência de práticas digitais nas instituições de ensino. Nessa perspectiva, conforme o historiador Roger Chatier, a sociedade e o Estado falham em relação ao analfabetismo digital no país, visto que a educação é uma ponte em que o poder público intervém na formação cidadã, inclusive no âmbito tecnológico. Com isso, observa-se que é de suma importância a mudança no paradigma educacional, a fim de auferir tal obstáculo social.
Fica claro, desse modo, que tanto a desigualdade social quanto a falta de uma educação tecnológica são gargalos para a superação do analfabetismo digital no Brasil. Para reverter o quadro, urge que o Ministério da Cidadania atue no combate à desigualdade, por meio do fornecimento de subsídios para a compra de aparelhos eletrônicos e investimento em redes de Wifi nas regiões menos favorecidas do país. Essa proposta objetiva fornecer mecanismos que atenuem o analfabetismo digial. Além disso, é imprescindível que o Ministério da Educação mude o paradigma educacional, por intermédio do fornecimento de aulas que introduzam o aluno na nova era e inclusão de oficinas para ensinar aqueles que já se formaram nas escolas. Essa medida tem o intuito de democratizar o ensino digital e mitigar tal problemática. Dessa forma, vislumbrar-se-á uma perspectiva semelhante a de Jobs.