A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 11/01/2021

No livro “Brasil: Uma biografia”, as autoras Lilia Shcwarcz e Heloísa Murguel relatam que, no período imperial, o Brasil apresentou característica polar - resultante de seus inúmeros atrasos e avanços - que retardou a evolução da nação. Entretanto, ao contrário do que se espera, nota-se ainda no cenário contemporânio a persistência de tal polaridade, sendo as tecnologias contribuintes para os avanços e, em contraste, o analfabetismo digital impulsor dos atrasos. Nesse sentido, diante de uma sociedade onde os atrasos anulam os avanços, mesclando conflitos nas esferas socioeconômicas e educancionais, analisar os fundamentos de dada problemática é medida que se faz imadiata.

Precipuamente, é fulcral que a questão do analfateismo digital no Brasil tem como agravante a desigualdade socioeconômica presente no país. Consoante ao exposto, de acordo com o coeficiente de Gini, índice que mede a desigualdade, o Brasil está entre as 10 nações mais desiguais do mundo. Nessa lógica, a assimetria social faz com que parcela da sociedade não tenha acesso ao ciberespaço com regularidade, fato que impossibilita a adaptação do indivíduo no uso dessa ferramenta. Sendo assim, é inadmissível que em um cenário pós-moderno, onde o real e o virtual se difundem, fração da sociedade sofra tal segregação.

Sob essa perspectiva, vale ressaltar ainda a ausência de uma educação formadora eficiente como um dos fatores que retardam a resolução do empecilho. Segundo o historiador contemporâneo Roger Chartier, a escola deve funcionar de modo a ser uma ponte em que o poder público intervém na formação da sociedade, inclusive, no âmbito digital. Entretanto, não é o que ocorre no Brasil, já que as instutições não oferecem aos alunos formação para dominarem essas ferramentas tecnológicas. Desse modo, é racional acreditar que a ausência de uma educação formadora contribui significativamente para a perpetuação desse quadro deletério.

Dessarte, com o intuito de atenuar os impactos do analfabetismo digital no Brasil, medidas exequíveis são necessárias. Urge, portanto, que o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, insira nos ensinos público e privado Educação digital como disciplina em todas as faixas etárias. Isso, por meio de palestras ministradas por doscentes e jogos interativos. Ademais, é necessário que patrocinem equipamentos tecnológicos - como celular e notebook -  com os recusrsos necessários para todos os estudantes da rede pública. Tais medidas devem ser tomadas a fim de inserir o indivíduo na realidade digital e reduzir os impactos socioeconômicos presentes. Espera-se assim, em médio e longo prazo, diminuir os efeitos da questão do analfabetismo digital no Brasil, caminhando para uma sociedade repleta de avanços e distante dos atrasos.