A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 11/01/2021

A Constituição Cidadã, documento maior da democracia brasileira, prevê a integração digital da população. No entanto, na contemporaneidade, os avanços técnico-científicos crescem de modo exponencial, não sendo acompanhados pela instrução de seus utilizadores. Por consequência, o direito à inclusão no mundo digital é corrompido, fazendo-se necessária uma análise dos fatores que promovem esse quadro.

Em uma primeira análise, é preciso garantir que a população possua acesso a internet, fato que ainda não acontece no país. Para o empresário Steve Jobs, a tecnologia move o mundo, fala comprovada pela sua importância atualmente, que é imensurável, devido à globalização e a integração do mundo físico e online. Desse modo, quem não dispõe desse recurso torna-se isolado e perde a conexão com a parcela da sociedade mais conectada, caracterizando mais um tipo de segregação social: a digital.

Ademais, é visível a inexistência de medidas governamentais para o combate desse tipo de analfabetismo. Nesse sentido, o direito a inclusão é violado, junto com a capacidade da população de usar e conhecer essa ferramenta fundamental. Na visão do filósofo iluminista John Locke, o Estado tem o dever de garantir que os cidadãos usufruam de todos os seus direitos. Nessa perspectiva, o contrato social é violado, com o não-cumprimento dos deveres estatais e a resultante perda do potencial do uso desses dispositivos. Portanto, é explícita a importância da alfabetização digital no Brasil, para todas as idades.

Logo, o Estado, por meio do Ministério da Infraestrutura, com parcerias público-privadas, deve aumentar a cobertura da internet em locais que ainda não usufruam dela, com a instalação de antenas. Além disso, é imperativo que o Ministério da Educação promova palestras e debates nas escolas, instituição fundamental para o desenvolvimento intelectual do indivíduo, e outras aulas gratuitas, a fim de que a população aprenda a utilizar essas ferramentas de modo correto e seguro. Dessa forma, será possível que o que está previsto na Constituição de 1988 se cumpra, e a sociedade nacional evolua junto com a tecnologia.