A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 12/01/2021

Na obra “A República”, do filósofo e matemático Platão, é retratada uma cidade perfeita, na qual o corpo social caracteriza-se pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, a realidade contemporânea é justamente o oposto, tendo em vista os entraves existentes no que se refere ao analfabetismo no Brasil. Tal fato liga-se intrinsecamente a fatores de ordem política e social.

Em primeiro lugar, é possível constatar que a negligência governamental no que tange ao investimento em educação digital é preponderante para a intensificação da problemática. De acordo com o contratualista Jean-Jacques Rosseau, a função do Estado é garantir o equilíbrio social e o bem-estar de todos. Nesse sentido, nota-se que o Governo brasileiro rompe com essa máxima, uma vez que não se preocupa em destinar recursos e desenvolver ações que objetivem a diminuição dos índices de analfabetismo digital no país, trazendo, dessa maneira, prejuízos à sociedade. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Além disso, cabe ressaltar que a alienação popular no tocante à importância da obtenção do conhecimento tecnológico configura-se como mola propulsora do impasse. A filósofa alemã Hannah Arendt, no livro “Eichmann em Jerusalém”, refletiu sobre a naturalização de determinados comportamentos e situações prejudiciais à sociedade em virtude da falta de pensamento crítico. Sob esse prisma, pode-se observar que a ausência de alfabetização tecnológica é um problema comum no contexto brasileiro, e por essa razão os indivíduos acabam deixando de perceber a relevância da busca e mobilização para que haja sua resolução. Assim, é essencial superar esses paradigmas que tanto afetam a população.

É mister, portanto, que medidas sejam tomadas para reverter o quadro atual. Urge que o Governo, por meio de verbas públicas, ofereça a todas as comunidades cursos gratuitos relacionados à educação digital, os quais sejam ministrados por profissionais da área de informática, que ensinem de forma didática o básico da tecnologia, a fim de incluir esses indivíduos no contexto vitual e transfomá-los em agentes atuantes nesse meio. Desse modo, nesse âmbito, o corpo social brasileiro se tornaria mais semelhante ao descrito por Platão.