A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 11/01/2021

Passados um século do início da era digital, é evidente a insuficiente diligência para consolidar conhecimentos e opiniões acerca das utilidades conquistadas nesse período. Consoante a isso, o Brasil se destaca na questão do analfabetismo digital, que diz respeito não só a possibilidade de acesso à tecnologia, mas também ao gerenciamento das ferramentas as quais são disponibilizadas. Nesse sentido, o silenciamento dessa temática, bem como o negligenciamento por parte do Estado, são fatores determinantes para a falta de conhecimento tecnológico.

Em uma primeira análise, convém destacar que a omissão de informações a respeito do meio digital promove a ausência da capacidade de discernimento sobre o que é ilegítimo nas redes. Nesse cenário, Simone de Beavouir, filósofa francesa, dizia que o mais problemático dos problemas é que as pessoas se habituam a eles. Posto isso, a afirmação atribuída à autora pode ser aplicada ao analfabetismo digital, ao passo que fatos como o não julgamento da veracidade de informações e a consequente credibilidade a qualquer fonte de dados são atitudes normalizadas e pouco debatidas, as quais a população está habituada. Isso decorre principalmente devido ao insuficiente letramento digital da população e a divulgação de notícias falsas é uma consequência comum nesse panorama.

Ademais, o Estado negligencia a falta de conhecimento tecnológico ao fornecer internet pública isolada do ensinamento para o acesso responsável a ela. Nesse âmbito, os iluministas Diderot e D’Alembert, autores da “Enciclopédia”, afirmavam que a educação é fundamental no combate à alienação dos cidadãos. Diante do exposto, verifica-se a importância do papel do Estado na democratização, além dos meios para o acesso à internet, também do preparo educacional digital, o qual dará suporte para atitudes mais seguras nas redes. Nessa situação, o ensinamento fornecerá a capacidade de prever, por exemplo, o roubo de dados por criminosos virtuais, o qual é um delito cada vez mais comum que ocorre por pessoas que anseiam usufruir da ingenuidade digital da sociedade.

Evidencia-se, portanto, a necessidade de ações interventivas para minimizar o problema em todo o território nacional. Para tanto, o Ministério da Educação, em parceria com o governo federal, deverá tornar obrigatória nas escolas uma disciplina que contemple o letramento tecnológico, por meio da modificação da matriz curricular das instituições, a fim de informar os estudantes, desde os níveis mais básicos de educação, sobre como utilizar a internet com segurança e responsabilidade, além de tornar público esse assunto o qual é silenciado na atualidade. Espera-se, que, com a concretização dessa ação, o panorama de analfabetismo digital no Brasil seja alterado.