A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 12/01/2021

Para a Organização das Nações Unidas, a internet é um direito humano básico, paradoxalmente, um em cada quatro brasileiros não tem acesso à rede, conforme pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Esse dado alarmante evidencia a negação de garantias fundamentais à parcela significativa da sociedade, o que gera uma grave segregação social. No contexto da “Cibercultura”, a carência de letramento digital intensifica o processo excludente e torna o indivíduo vulnerável ao mecanismo das redes. Diante disso, cabe ao governo federal priorizar políticas públicas que garantam educação digital a todos.

Sob esse viés, primeiramente, deve-se destacar a importância da alfabetização digital para a efetiva inclusão dos usuários à rede. Nesse sentido, segundo o filósofo contemporâneo Pierre Lévy, a “Cibercultura” rege a sociedade atual, de forma que o fluxo informacional é manifestado por meio das novas tecnologias. Isso significa que, a eventual falta de domínio tecnológico pelas pessoas, o denominado analfabetismo digital, impede a integração social dos indivíduos, o que dificulta, ainda, o estabelecimento de um espaço virtual democrático. Ademais, com o desenvolvimento da cultura digital, o acesso a direitos básicos, como o atendimento por órgãos governamentais, ocorre, frequentemente, via internet, ratificando a necessidade de um ensino voltado ao uso dos dispositivos tecnológicos.

Em segunda análise, é necessário pontuar as vulnerabilidades as quais estão submetidos os analfabetos digitais na rede. Isso ocorre porque os indivíduos que não sabem operar corretamente os aplicativos e as redes sociais tendem a ser mais suscetíveis aos perigos da exposição exacerbada no mundo on-line e, por diversas vezes, desconhecem a relevância de manterem seus dados pessoais seguros. Adicionalmente, é comum que os analfabetos digitais sejam mais vulneráveis às notícias falsas que invadem as páginas da internet, haja vista a dificuldade que eles têm para checar a veracidade da informação, ou mesmo a crença na credibilidade dos perfis virtuais. Logo, é imprescindível o conhecimento acerca dos mecanismos do ciberespaço.

Registra-se, portanto, a urgência de garantir a alfabetização digital para todos. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia, implantar o ensino digital, por meio da inclusão deste na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a fim de promover o aprendizado do uso dos dispostivos tecnológicos. Isso deve ser feito desde os primeiros anos escolares, para que as crianças seja integradas à “Cibercultura”. Além disso, o Governo Federal deve ofertar cursos de letramento em mídias sociais, tal como já é ofertado em outros países, como Portugal. Assim, o analfabetismo digital deixará de ser um entrave ao uso seguro das redes.