A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 11/01/2021
A globalização permitiu o avanço da tecnologia, contextualizando uma sociedade dependente do mundo digital. Entretanto, a posse do conhecimento virtual é hegemônico, diante da disparidade socioeconômica e da desconsideração da necessidade de educação para o uso correto do ambiente virtual. Sendo assim, tais fatores impactam negativamente no cenário brasileiro, o qual apresenta uma população digitalmente analfabeta.
Em primeira análise, evidencia-se que a coletividade brasileira baseia-se em uma estrutura excludente, ocasionando a periferização social. Tal fator pode ser visto na obra “O Cortiço”, romance brasileiro que trata do afastamento das comunidades precárias para as periferias, sendo privadas da oportunidade de inclusão socioeconômica praticada pelo resto do corpo social. Fora do universo literário, as regiões interioranas brasileiras relembram o sentimento de neglicenciamento exposto no enredo do livro, devido a falta de oferta de caminhos para participação no meio digital e a não promoção da adaptação das comunidades no uso das ferramentas virtuais.
Ademais, mesmo possuidor dos recursos eletrônicos, a falta de conhecimento tecnológico se torna uma nova forma de analfabetismo. Haja vista que a escola é a instituição formadora do indivíduo, a mesma deve assumir o papel de educar tecnologicamente o corpo social para impedir a promoção do desconhecimento digital. Sendo assim, é indispensável a educação para a formação de senso critíco para a identificação da veracidade de informações, além de ensinar o manejamento correto do ambiente virtual. No entanto, tal viés educacional não é priorizado no país, gerando o atual cenário de uma coletividade iletrada digitalmente.
Portanto, é necessário a atuação do poder governamental para reverter o quadro digitalmente analfabeto exposto na sociedade. Para que isso ocorra, é importante que o Estado, através de subsídios tributários, forneça caminhos para a inserção do grupo populacional no ambiente virtual, criando projetos de computadores comunitários em espaços públicos, além de promover aulas gratuitas de educação tecnológica com o objetivo de promover o conhecimento e adaptação a nova conjuntura tecnológica, diminuindo a taxa de analfabetismo digital no Brasil.