A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 12/01/2021
Embora a constituição de 1988 seja chamada de cidadã, as atuais demandas para a formação de cidadãos não são atingidas, especialmente no que tange à era digital. Isso acontece devido à desigualdade social no Brasil, que direciona a infraestrutura e a educação relacionadas à internet aos privilegiados. Assim, cria-se uma sociedade de analfabetos digitais, pouco capacitada a lidar com os desafios da era da informação.
Primeiro, é importante notar que, em um mundo em que a transformação digital muda a forma como se age nas esferas privada e coletiva, o Brasil anda na contramão dos países emergentes. Isso porque ele aparece na 31° posição do relatório anual “The Inclusive Internet Index”, que avalia o preparo para o uso da internet em nível global. Em contraste, é comum ver noticiado o extensivo uso de tecnologia em países como a China, onde é possível pagar contas somente usando o próprio rosto e um celular. Tal fato assusta os brasileiros, alguns dos quais desconhecem o funcionamento de cartões de crédito, há muito obsoletos nos pagamentos chineses.
Paralelo a isso, vale ressaltar que o acesso extremamente desigual à infraestrutura informacional também denota a falta de preparo do país para lidar com a tecnologia de ponta. Essa situação escancarou-se durante a pandemia do coronavírus, período que forçou a utilização de aulas on-line. No caso, indivíduos com baixo poder aquisitivo tiveram baixo rendimento, já que não vivem em ambientes adequados ao estudo à distância. Com isso, a desigualdade entre esses estudantes e os privilegiados cresceu nos maiores vestibulares do país.
Dessa forma, pode-se perceber que a sociedade brasileira não tem as condições mínimas para o bom uso das tecnologias de informação. Assim, é míster a intervenção do Estado e de organizações privadas para um pais mais integrado. Em primeiro plano, o Ministério da Educação deve investir no fornecimento de tablets educacionais com acesso à internet móvel para os menos favorecidos. Por fim, empresas devem criar um museu interativo, aos moldes do “Catavento”, que ensine o bom uso da internet.