A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 11/01/2021

Para o filósofo escocês David Hume, a principal característica que difere o ser humano dos outros animais é o seu pensamento, habilidade que permite ver aquilo que nunca foi visto e ouvir aquilo que nunca foi ouvido. Sob esse viéis, a internet representa a capacidade do indivíduo de transpor suas ideias e pensamentos, o que indica a problemática do analfabetismo digital, uma vez que é recorrente na sociedade brasileira. Todavia, para que haja uma reversão desse quadro, faz-se necessário analisar a desigualdade socioeconômica e causar educacionais que contribuem para a continuidade desse  entrave em território nacional.

Em primeiro plano, é lícito postular que grande parcela da sociedade não tem acesso à tecnologia, devido a sua condição social e, consequentemente, não pode ser deixado em segundo plano. Para entender essa lógica, de acordo com o índice de GINI, medida que classifica o grau de desigualdade no país, o Brasil está entre as 10 nações mais desiguais do mundo. Dessa forma, pessoas de classe alta estão tirando o proveito completo que a tecnologia oferece, enquanto parcela da sociedade em vulnerabilidade social não tem acesso a este recurso, o que dificulta acesso à informação e à educação,  não só evidencia no afastamento dos indivíduos com baixo poder aquisitivo, mas também o distanciamento desse entreterimento educativo. É perceptível, portanto, que a persistência desse panorama, na contemporaneidade, dificulta cada vez mais a inclusão social.

Ademais, é fundamental salientar que a negligência no tocante à educação digital faz com que crianças e adolescentes fiquem mais afastados do mundo tecnológico. Nesse contexto, segundo o filósofo Pierre Lévy, toda tecnologia tem seus excluídos, de fato, a população de baixa renda é mantida excluída no que diz respeito a tecnologia. Desse modo, a falta de infraestrutura é um dos maiores obstáculos para a modernização do ensino e introdução da tecnologia nas escolas, não ofertam aos alunos ensinamentos nas ferramentas tecnológicas, e não os prepara, inclusive intensifica essa realidade no país. Esse cenário, certamente, configura-se como desagregador e não pode ser negligenciado.

É evidente, portanto, que o analfabetismo digital no Brasil é agravado pela desigualdade social e causas educacionais. Logo, cabe o Ministério da Educação e o Governo Federal, aprimorar a infraestruturas das escolas, por meio de investimentos em dispositivos da tecnologia, como computadores e tablets, além de cursos de informática para os professores aprimorar suas práticas pedagógicas. Esse projeto deve também promover dinâmicas lúdicas fundamentadas em debates entre a família e os professores ao introduzir esse novo método de aprendizado e informação. Essa medida tem o intuito de aperfeiçoar a inclusão social por intermédio da educação.