A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 11/01/2021
Segundo Sartre, filósofo francês, o ser humano é livre e responsável, e lhe cabe escolher seu modo de agir. Entretanto, ele opta por fazer escolhas indevidas, como dificultar a inserção das pessoas que não possuem habilidades com a tecnologia na sociedade brasileira, favorecendo o crescimento do analfabetismo digital. Como fatores que agravam esse impasse, tem-se a desigualdade social e a falta de empatia. Nesse sentido, é preciso discutir essas problemáticas e procurar solucioná-las.
Em primeira análise, ressalva-se a desigualdade social no Brasil devido à evolução tecnológica que seleciona os indivíduos que dominam a internet e excluí os incapacitados. Sendo assim, de acordo com a Constituição de 1988, no artigo 6º, é preconizado que todos os cidadãos brasileiros tenham direitos iguais a ter acesso à educação. Contudo, nota-se que a lei não é colocada em prática, pois o analfabetismo digital está aumentando em razão da desigualdade social enfrentada por parte da população, que não teve um ensinamento adequado nas escolas para usarem a plataforma digital. Como consequência, observa-se que essas pessoas passam por dificuldades ao buscarem por uma inclusão digna na sociedade e se depararem com exclusão pelos que possuem habilidades com o espaço virtual.
Além da desigualdade social, há também a falta de empatia que contribui para o problema atual. Dessa forma, conforme Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, as pessoas estão vivenciando um período de “modernidade líquida”, o qual relata o individualismo das relações humanas. Nesse contexto, existem algumas pessoas que não tem empatia pelo próximo e discriminam quem não sabe mexer em aparelhos eletrônicos, mas, em vez disso, elas devem instruí-lo a buscar por conhecimento de forma segura na internet. Ademais, essa atitude é uma forma de individualizar as relações humanas, onde cada indivíduo pensa apenas em si mesmo e não busca alternativas para contribuir com a alfabetização da população para que o país reduza suas taxas de analfabetismo digital.
Fica claro, portanto, que há muitos obstáculos para diminuir o analfabetismo digital no Brasil. Por isso, é preciso que o Ministério da Educação, implemente uma nova disciplina nas escolas brasileiras que as intrua como navegar na universo tecnológico, por meio de projetos que facilitem o acesso à educação para todas as pessoas, independente da idade e da classe social, direcionando-as a buscarem por uma educação digital de qualidade, a fim de capacitar as pessoas que não dominam à tecnologia e melhorar o individualismo das relações humanas. Só assim, os desafios com a analfabetização digital começarão a diminuir e o ser humano mudará seu modo de agir, como afirma Sartre.