A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 11/01/2021
Segundo o o filósofo francês Pierre Lévy, na sociedade “hiperconectada”, fatos, notícias, e o acesso a uma extensa parcela de direitos são acessados apenas no âmbito digital. Contudo, no Brasil, o analfabetismo digital de uma parcela da população impede o pleno desenvolvimento educacional e o exercício da cidadania, em especial da camada social mais periférica. Estes, vítimas da negligência do Estado e da sociedade em geral, mantem, dessa maneira, sua condição marginalizada no decurso da evolução tecnológica.
Em primeiro lugar, vale ressaltar a ausência de medidas governamentais de combate à essa condição: segundo dados do IPEA, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, cerca de um terço da população não tem acesso à internet. Tal conjuntura, segundo ideias do filósofo contratualista inglês John Locke, configura uma violação do “Contrato Social”, já que nega a uma parcela da população direitos fundamentais como à Educação, fomentando, assim, a desigualdade de oportunidades.
Em segundo lugar, é necessário reconhecer o papel da sociedade de forma orgânica na manutenção do problema. Nesse sentido, se na democracia representativa, os representantes tratam, em tese, das aflições gerais da sociedade, o analfabetismo digital, diante da inércia do Estado, não pode ser tratado com relevância pelos eleitores. A a filósofa francesa Simone de Beuvoir, afirma que " O mais escandaloso dos escandalos, é nossa capacidade de nos habituar a eles". Nessa perspectiva, a sociedade se habituou à desigualdade no acesso a essas ferramentas e confirma sua condição apática nas urnas.
Infere-se, portanto, a necessidade de superar tais obstáculos. Desse modo, urge que o Estado, mediante o Ministério da Educação, faça da Escola Pública um espaço de extensão e capacitação dos cidadãos na esfera digital - direcionando verbas para a compra de equipamentos e contratação de professores treinados - a fim de aplacar o analfabetismo digital. Desse modo, respeitar-se-á o “Contrato Social” de John Locke.