A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 11/01/2021
No filme “Central do Brasil”, estrelado pela renomada atriz Fernanda Montenegro, é apresentado a realidade de desigualdade enfrentada pelo norte e nordeste brasileiro, uma vez que até mesmo a leitura – algo fundamental na atualidade – é extremamente raro naquelas regiões. Contudo, fora das telas, embora sejam vistos avanços significativos na conquista de direitos relativos à educação, o triste quadro de analfabetismo digital ainda assola a população na coetaneidade. Nesse sentido, percebe-se não só a configuração de um grave problema, mas também convém ressaltar as causas que perpassam tanto o âmbito da ineficiência estatal, quanto, com efeito, da precária estrutura escolar.
Nessa direção, é importante destacar, a priori, que a falha do Poder Executivo em assegurar a inclusão digital impacta diretamente na qualidade de vida dos cidadãos. Prova disso, o Estado, como bem afirmou o economista britânico John Maynard Keynes, deve garantir o bem-estar social e – inclusive – o direito ao acesso às tecnologias (como prever no Artigo 5° da Constituição). Entretanto, isso não se aplica ao atual cenário brasileiro, haja vista que são poucos os investimentos na infraestrutura tecnológica das escolas, além da falta de cursos profissionalizantes eficazes e com retorno financeiro à medida que incentive o uso consciente dessa importante ferramenta de democratização das informações e, em suma, desenvolvimento econômico.
Ademais, as instituições de ensino estão entre os entraves que impedem a resolução da problemática. Acerca disso, de acordo com o sociólogo e pedagogo Dermeval Saviani, no livro Escola e Democracia, é papel do colégio integrar e proporcionar, ao corpo discente, métodos interativos e igualitários para educar e reduzir as desigualdades. No entanto, a comunidade não se vê assistida por tais benefícios, pois as escolas brasileiras sentem necessidades de produtos ainda mais básicos que um computador com “internet” ou um quadro com “lousa digital”, mas um simples alimento na hora do recreio e o acesso a um elemento primordial para vida, a água. Isso denota, sobretudo, que a minimização do analfabetismo digital está diretamente ligado a redução da desigualdade econômica.
Infere-se, portanto, que providencias sejam tomadas para minimizar a questão do analfabetismo digital. Dessa forma, compete à Federação, criar o projeto “Educação Democrática”, por meio da destinação de verbas públicas para as escolas, com objetivo de atenuar problemas como a fome e, dessa maneira, propiciar um local no qual os alunos consigam aprender a utilizar as ferramentas tecnológicas e, consequentemente, conseguir a melhoria de sua realidade econômica. Assim, será possível não apenas fazer jus às teorias Keynesianas, mas também, gradativamente, promover uma cidadania legítima e plural para crianças, como o “Josué” da “Central do Brasil”.