A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 16/01/2021
A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 definiu a inclusão digital como um direito de todos os cidadãos. Todavia, isso não se efetivou na realidade. Ainda que a importância da internet para a comunicação, o aprendizado e o entretenimento já seja conhecida em todo o país, grande parte da população não tem esses benefícios em seu cotidiano e não consegue se adaptar às novidades tecnológicas. Dessa maneira, surge um quadro de analfabetismo digital, no qual os cidadãos não tem conhecimento sobre o uso das redes e, por isso, são excluídos do ambiente eletrônico, não podendo usufruir de todas as suas vantagens. Tal problemática persiste por raízes históricas e sociais.
Em primeiro lugar, é importante destacar que o surgimento da internet, por meio da Revolução Técnico-Científica-Informacional, ou Terceira Revolução Industrial, ocorreu de maneira rápida, assim como seu avanço. Assim, houve dificuldades de adaptação, as quais causaram a supressão de grande parcela da sociedade. Nesse âmbito, segundo dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), somente 42% dos brasileiros das classes sociais D e E estão conectadas no meio virtual, o que comprova a exclusão dos outros 58%. Por outro lado, muitos dos que têm esse acesso garantido tendem a confiar em tudo o que veem online e, por isso, ficam mais sujeitos a acreditarem e compartilharem fake news ou a serem atacados por hackers.
Além disso, outro fator a ser levado em consideração é a falta de conhecimento. Nesse contexto, muitos cidadãos não recebem ensinamento digital nas escolas e, quando adultos, com mais dificuldade para aprender, não encontram pessoas de seu ciclo social que possam auxiliá-los. Dessa forma, como, segundo o ativista político Nelson Mandela, “a educação é a arma mais poderosa que se pode usar para mudar o mundo”, a lacuna desta inibe o nascimento de mudanças. Como conseuqência, a sociedade permanece estática em uma realidade na qual a carência de oportunidades é a principal geradora de desigualdades no país.
Observa-se, portanto, que as razões de ordem histórica e social dificultam o combate ao analfabetismo digital no país. Destarte, para a maior inclusão populacional, o governo deve garantir o acesso dos cidadãos à internet, por meio da disponibilidade de centros gratuitos com rede e computadores em todas as cidades do país. Tais locais devem também contar com profissionais que auxiliem os indivíduos nessa conexão, a fim de que todos aprendam a realizá-la e ela possa ser utilizada para benefício popular, já que permitirá a maior difusão de conhecimentos e informações, além de servir para comunicação e em momentos de lazer. Somente assim, será possível garantir a inclusão digital e tornar real aquilo que é previsto na Constituição Federal de 1988.