A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 12/01/2021

Na obra literária “Cidadania no Brasil: O longo caminho”, o historiador José Murilo de Carvalho evidencia ao leitor o processo de construção do indivíduo como membro do Estado, no qual ele define o cidadão pela titularidade de seus direitos. No entanto, no contexto contemporâneo brasileiro o analfabetismo digital demostra que essa posse não é efetivada, pois, uma parcela da população é restringida da autonomia tecnológica. Então, é notório que tanto a inércia governamental, quanto disparidades sociais mutilam os direitos e deveres do sujeito quanto ser social.

Nesse sentido, é irrefutável que a tecnologia está cada vez mais inerente ao cotidiano nacional e, por consequência, indispensável para o desenvolvimento. Dessarte, quanto a isso é válido salientar que a Constituição de 1988 - documento que rege todo ordenamento jurídico no Brasil - ratifica no artigo 228° o dever do Estado em promover e incentivar o desenvolvimento tecnológico.Embora a legislação não é demostrada de maneira ativa, uma vez que boa parcela da nação não tem instruções primárias para realizar atividades virtuais. Dessa maneira, essa deficiência no aparato estatal se torna patológica porque a massa social se apresenta limitada no meio digital.

Sob essa perspectiva, vale ressaltar ainda a desigualdade socioeconômica como um fator que potencializa esse impasse. Isso decorre, principalmente, por conta da elitização do mercado digital, posto isso, de acordo com o filósofo francês Pierre Bourdieu as classes dominantes monopolizam estruturas formadoras de opinião e suas ideologias são tidas como naturalizadas, por conseguinte, o acesso a esses meios são superestimado pelas menos favorecidos do sistema. Tendo em vista a problemática supracitada, a cultura da utilização dos computadores e da internet precisa ser democratizada.

Portanto, é primordial que o analfabetismo digital no Brasil seja solucionado. Para isso, compete ao Ministério da educação - como órgão responsável pelo desenvolvimento civil - promover uma política de incentivo tecnológico nas escolas, através de um maior direcionamento de subsídios para obtenção de laboratórios de informática, a fim de o aluno manter contato a partir do ensino fundamental I até o ensino médio. Ademais, é fundamental que o Ministério da Ciência, Tecnologias e Inovações desenvolva um auxílio direcionado a população mais carente para a compra de pacotes de internet e aparelhos tecnológicos, com o intuito não apenas de coletivizar, mas também de habituar esses indivíduos ao futuro tecnológico. Para que dessa forma, os brasileiros possam gozar de seus direitos e serem cidadãos plenos como definido por José Murilo de Carvalho.