A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 12/01/2021

No filme “Eu, Daniel Blake”, o protagonista sofre um ataque cardíaco e é afastado do serviço, sendo assim ele busca receber os benefícios concedidos pelo governo, porém ele esbarra na extrema burocracia do alto escalão, amplificada pelo fato de ele ser analfabeto digital. Contudo, vê-se que os analfabetos hoje não são mais pessoas que não sabem ler ou escrever. Uma nova classe emergente de cidadãos sem os conceitos básicos para navegar pela internet começa a surgir. Esses entraves são ocasionados pela ineficácia do Estado em apoiar essa camada, o que atravanca o desenvolvimento saudável da nação.

Pode-se citar inicialmente que, segundo o IBGE são 11 milhões de iletrados no Brasil. No entanto, 170 milhões de brasileiros não tem acesso a internet no país. De acordo com a lei promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todo os indivíduos o direito à educação e ao bem-estar social, mas é notório que esse código tão importante não se aplica em grande parte da população brasileira, pois observa-se uma parcela de pessoas sem saber manusear smartphones e computadores. Visto que desde a Revolução Industrial, as máquinas tem ganhado cada vez mais espaços entre os habitantes, o cenário da analfabetização digital não é favorável para o país.

Além disso, é imprescindível destacar que os números tendem a crescer, já que muitos habitantes brasileiros são como Daniel Blake. Conforme dito pelo Papa Francisco, “Os direitos humanos são violados não só pelo terrorismo, a repressão, os assassinatos, mas também pela existência de extrema pobreza e estruturas econômicas injustas, que originam as grandes desigualdades”. Perante os dados apresentados, confirma-se a desigualdade presente no Brasil, e que mesmo com todos os avanços tecnológicos e o desenvolvimento do país, essa situação persiste em existir nos dias de hoje.

Destarte, é necessário que o Estado apoie a parcela de analfabetos digitais brasileiros, por meio do envio de verbas aos governos estaduais, que devem fornecer um auxílio financeiro para suprir as condições necessárias, principalmente, a fim de valorizar essa importante ferramenta de inclusão social: a alfabetização digital, e ao mesmo tempo reconhecer o esforço dos cidadãos. Cabe ainda, a essa instituição, através da mídia, incentivar a formação da população, a fim de formar uma sociedade preparada para os entraves da vida, desenvolvida e letrada, sem precisar passar pelo que Daniel Blake passou.