A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 11/01/2021

A Constituição Federal de 1988, em seu artigo sexto, garante a todos os brasileiros os direitos sociais básicos, entre eles o direito à educação. No entanto, no contexto moderno, com o advento da tecnologia, as dificuldades com a alfabetização digital tem se tornado um problema no país, ferindo o preceito constitucional. Diante disso, observa-se a consolidação de um grave problema de contornos específicos, em virtude da precariedade na conectivdade no país atrelada à falta de recursos para a educação.

Nesse sentido, é importante ressaltar, em primeiro lugar, que a precariedade do acesso à internet no Brasil é um empecilho a resolução do problema. Sob essa perspectiva, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasilero de Geografia e Estatística (IBGE), no território nacional, menos da metade da população tem conexão de banda larga, ou seja, com quantidades suficientes de dados para consumir conteúdos no espaço tecnológico. Assim, como parcela relevante do povo não possui condições de navegar na internet, o aprendizado acerca desse tecnologia fica prejudicada. Como consequência disso, o programa “Profissão Repórter” demonstrou que há hoje uma carência de profissionais capacitados nas ferramentas digitais para atuar no mercado de trabalho.

Ademais, outro fator que corrobora o cenário é a quantidade escassa de recursos financeiros para a educação. Sob esse viés, Rousseau, em sua teoria, disserta sobre o papel do Estado na garantida dos direitos dos cidadãos. Todavia, conforme relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil investe menos que a média global no setor, o que cria um cenário de baixo desenvolvimento educacional e, consequentemente, contraria preceito contratualista. Desse modo, a falta de recursos impede que sejam criadas políticas públicas específicas para a resolução da problemática do aprendizado digital e, em decorrência disso, há a perpetuação do quadro antidemocrático no panorama brasileiro.

Fica claro, portanto, que a questão do analfabetismo digital ainda perpetua, haja vista os problemas de conectividade e de recursos finaceiros. Urge, dessa forma, que o Ministério da Educação (MEC), por meio de parceria com o Tesouro Nacional, viabilize o aumento de verbas para a criação de um programa de alfabetização no ambiente tecnológico. Tal ação deve contar com a disponibilização de cursos gratuitos, a serem ministrados nas escolas públicas, com professores de informática, com o fito de proporcionar a educação da população. Além disso, o MEC, em parceria com a mídia, pode disponibilizar e divulgar videoaulas com os conteúdos mais relevantes do curso, para que mais pessoas possam ter acesso. Feito isso, o direito previsto na Carta Magna poderá, enfim, ser efetivado na prática.