A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 12/01/2021
A Revolução Industrial ocorreu no século XVIII com berço na Inglaterra, alterando a produção ecônomica da época e adicionando máquinas revolucionárias como o motor a vapor. Ao passo da propagação tecnológica na sociedade, a Revolução Técnico-Científica Informacional ocorrida no século XX, adicionou os computadores e a internet, terminando de transformar o mundo e a população. Porém, infelizmente, a internet no Brasil ainda conta com inúmeros desafios a serem combatidos, como o analfabetismo digital, que ocorre principalmente pela ausência de políticas públicas, bem como a homogeneização de interesses presente na atualidade.
Em primeiro lugar, é necessário ressaltar como Jean-Jacques Rosseuau, filósofo contratualista suíço, detinha o pensamento de que, na política, tal como na moral, é um grande mal não se fazer o bem. Consequentemente, conforme uma pesquisa da The Economist, o Brasil ocupa o 4º lugar na confiança dada em informações oferecidas nas plataformas online. Logo, é exposto o quanto os brasileiros são facilmente enganados e manipulados digitalmente, o que pode e deve ser evitado com ações de políticos. Ainda, o professor de direito digital da Universidade Mackenzie, Marcelo Chivassa, afirma que a quantidade de indivíduos em território brasileiro torna o país mais atrativo para o cibercrime. Assim, é demonstrada a importância e necessidade de ações públicas para a mudança na realidade cibernética brasileira e o mantimento do bem-estar da população.
Ademais, segundo a obra “Sociedade do Espetáculo” do filósofo francês Guy Debord, a população do século XXI vive num frenesi de estar e se manter num espetáculo, sendo as relações sociais mediadas por imagens. Em adição, em “A Dialética do Esclarecimento” dos filósofos Adorno e Horkheimer, da Escola de Frankfurt, é explicado como a indústria atual foi alterada de forma a homogeneizar os interesses e alienar os indivíduos com a massificação da cultura, potencializados pelo conteúdo presente nas redes sociais, TV e afins. Dessa forma, é possível criar um elo entre a confiança dada pelos brasileiros às informações exteriores e o culto à imagem presente na sociedade.
Por fim, são necessárias medidas de intervenção para a questão retratada. Urge que o Ministério da Comunicação, por meio da criação de um estudo com especialistas, desenvolva um projeto de lei a ser entregue na Câmara dos Deputados. Esse projeto deve fiscalizar as fake news, contando também com comerciais na TV e redes sociais, com objetivo de auxiliar a população cibernética. Não obstante, o Ministério da Educação, por meio de uma alteração curricular, deve adicionar aulas de informática do ensino fundamental a médio, também abordando a ética no mundo cibernético e explorando o criticismo dos alunos nas informações recebidas. Dessa forma, é possível vencer o analfabetismo digital.