A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 11/01/2021

Diante desse cenário, convém ressaltar, primeiramente, que a disparidade econômica é um grave empecilho para o acesso ao conhecimento digital. Segundo o Índice de Gini, medida que classifica o grau de desigualdade de um país, o Brasil está entre as 10 nações mais desiguais do mundo. Nessa lógica, o desequilíbrio social faz com que muitos cidadãos não consigam ter acesso às ferramentas digitais, visto que as suas condições financeiras não permitem a compra desses recursos. Assim, com a finalidade de diminuir o analfabetismo digital causado pela exclusão tecnológica, faz-se mister implantar centros tecnológicos nas cidades.

Outrossim, é imperativo destacar a falta de uma educação formadora como um dos fatores que validam a persistência da problemática. Segundo o historiador Roger Chartier, ’’ A escola deve funcionar de modo a ser uma ponte em que o poder público intervém na formação da sociedade, inclusive no âmbito digital’’. Todavia, essas palavras vão de encontro com a realidade brasileira, uma vez que o setor educacional não corrobora para o uso de aparelhos digitais. Fato que se ratifica com o Programa Internacional de Avaliação de Alunos ( PISA ), o qual afirmou que, em 2015, 20,19% dos discentes responderam que as suas escolas possuíam computadores que não eram utilizados por eles. Com isso, sem soluções para o óbice apontado, essa prática perdurará no Estado brasileiro.

Posto isso, é imprescindível que medidas para solucionar o analfabetismo digital no Brasil sejam tomadas. Destarte, cabe ao governo federal, em parceria com empresas nacionais, por meio da disponibilidade de verbas públicas, criar lan houses gratuitas nos municípios, as quais terão como objetivo a universalização do acesso à internet a todos os menos favorecidos. Essa atitude irá gerar, por conseguinte, uma maior educação computacional à população brasileira. Além disso, o Ministério da Educação deve implantar, nos colégios, um modelo educacional que contará com a presença de instrumentos tecnológicos, como tablets e computadores, o que facilitará a alfabetização eletrônica dos jovens. Dessa forma, é esperado que as palavras de Steve Jobs não sejam apenas profecias, mas, sim, uma realidade, a qual a ordem e o progresso vigorem em consonância.