A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 11/01/2021

Na Grécia Antiga, o filósofo Heráclito elaborou o Princípio da Impermanência, ou seja, tudo está em constante metamorfose. Nesse contexto, o século XXI vem sendo o “palco” de enormes transformações, principalmente, técnico informacional. Desse modo, as inovações tecnológicas estão tornando-se uma ferramenta essencial para o mundo. Simultaneamente a isso, existem países, como o Brasil, que deparam-se com um grave problema: o analfabetismo digital. Sendo assim, faz-se relevante abordar as causas dessa problemática, bem como as suas consequências.

Em primeira análise, torna-se importante fazer algumas observações sobre a realidade da sociedade brasileira, 25% dos brasileiros não possuem acesso a internet e cerca de 20% não possuem acesso à educação, dados esses fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Diante desse cenário, fica evidente a impossibilidade de ensinar uma parte da nação a usar os meios digitais que a Quarta Revolução Industrial proporciona. Logo, é notório que os principais vetores que originaram o problema são a falta de didática, escassez na oferta cibernética e a elevada quantidade de indivíduos que vivem na pobreza - o que significa que esses não podem adquirir produtos computacionais. Tal conjuntura, expõe o descumprimento do artigo 5 da constituição federal que garante para toda a população o direito de acesso a educação e a internet.

Em segunda análise, vira essencial mencionar como uma das decorrências ocasionadas pelo analfabetismo digital é: uma maior desigualdade social. A fim de comprovar o que foi dito, pode-se citar a obra literária do educador brasileiro Mario Sérgio Cortella em conjunto com o filósofo Renato Janine Ribeiro, “Política: Para não ser idiota”. Nesse livro, os autores explanam a ideia de que a introdução de um mundo tecnológico em todos os aspectos da existência humana trará dificiculdades para os cidadãos que não possuem a possibilidade de aprendizado ou os mecanismos - computador, compreensão técnica informacional e internet - necessários para desenvolver-se. Dessa maneira, estes sofrer-se-ão uma “escravidão contemporânea”, já que irão sujeitar-se a trabalhar por um salário bem reduzido, tendo em vista que não possuem capacitação para lidar com as novidades nos maquinários e precisam do dinheiro para sustentar a família.

Frente às discussões apresentadas, fica eminente a necessidade de criar-se procedimentos facilitadores para transmitir o conhecimento digital para as multidões. Assim sendo, cabe ao governo federal por intermédio do Ministério da Educação - através de projetos sociais - oportunizar formas de qualificação para as pessoas que não tem condição pessoal para isso, com isso diminuir-se-ia a desigualdade social e o analfabetismo digital, fazendo assim, do Brasil, uma pátria desenvolvida.