A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 13/01/2021

A Constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 6°, o direito à educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática, quando se observa a questão do analfabetismo digital no brasil. Dificulta-se, desse modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro, os quais estão relacionados não só à ausência do Estado, como também à desigualdade social.

Deve-se destacar, de início, a ausência de medidas governamentais para combater tal problemática. Nesse sentido, segundo Rousseau, na obra “Contrato Social”, cabe ao Estado viabilizar ações que garantam o bem-estar da população. No entanto, nota-se, no Brasil, que o analfabetismo digital rompe com as defesas do filosofo iluminista, uma vez que não há, no país, medidas satisfatórias e eficientes que garantam a alfabetização digital da população. Dessa forma, é inaceitável que, em pleno terceiro milênio, milhares de brasileiros ainda não saibam executar tarefas simples nos meios digitais. Como consequência disso, esses cidadãos têm suas vidas afetadas negativamente, uma vez que tal conhecimento é requerido diariamente no mundo tecnológico hodierno.

Ademais, é fundamental apontar a desigualdade social como impulsionadora do problema no Brasil. Quanto a essa questão, segundo dados do site Agência Brasil, em torno de 25% da população brasileira não possui acesso à internet. Sob esse viés, observa-se que essa enorme quantidade de pessoas, por não possuírem acesso à rede ou terem um menor contato com as tecnologias, têm mais chances de se tornam analfabetas digitais. Diante de tal exposto, fica evidente que a problemática também está atrelada à condição social do indivíduo, de modo que pessoas com maior acesso à informação, à educação  e a uma infraestrutura adequada dificilmente não sabem manusear um celular ou um computador.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater a problemática que envolve o Estado e as desigualdades sociais. Para tanto, é imprescindível que o Ministério da Educação, por meio da criação de uma infraestrutura voltada ao acesso tecnológico, eduque a população e garanta o acesso à internet.  Diante disso, tal infraestrutura deve contar com centros de acesso espalhados por toda a extensão do país, principalmente nas áreas mais necessitadas. Além disso, deverá haver profissionais nesses centros que eduquem a população a como usar um computador e como navegar na internet. Assim, consolidar-se-á uma sociedade mais igualitária, na qual o Estado desempenha corretamente o seu papel, tal como afirma Rousseau.