A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 11/01/2021

No início do século XXI, no Brasil, políticas públicas implantadas na economia possibilitaram um maior poder de compra às diferentes classes sociais. No entanto, apesar do grande acesso a aparelhos tecnológicos, como computadores, a maioria da população não tem o conhecimento necessário para usufruir dos benefícios proporcionados por essas tecnologias. Diante disso, convém analisarmos as principais causas e consequências do analfabetismo digital no território brasileiro.

A princípio, pode-se dizer que a negligência do Governo é um agravador da problemática. Segundo Arthur Lewis, “educação nunca foi despesa, sempre foi investimento com retorno garantido”. Entretanto, a realidade brasileira não condiz com a visão do economista britânico, tendo em vista que não são criadas políticas educacionais para a instrução da população, sobretudo dos idosos,  com relação ao uso da internet e de aparatos tecnológicos. Dessa forma, é imprescindível que o Estado atue de forma a minimizar essa segregação intelectual que impede muitos cidadãos de utilizarem as novas tecnologias.

Ademais, percebe-se que a vulnerabilidade no meio virtual é um legado deixado pelo analfabetismo digital. Com relação a isso, no livro “Vidas Secas”, o personagem principal, Fabiano, é constantemente enganado por seu chefe pelo fato de não saber ler e nem ter conhecimentos matemáticos básicos. Semelhante a situação exposta na obra de Graciliano Ramos, os usuários da internet que possuem pouco conhecimento são alvos fáceis de ataques cibernéticos e roubo de dados, visto que, infelizmente, os golpistas aproveitam dessa inocência.

O Governo, portanto, deve instruir os indivíduos mais leigos no que tange ao mundo digital, por meio da inclusão de uma disciplina relacionada a esse tema no currículo escolar e, além disso, oferecer cursos, de forma gratuita, para os cidadãos que não frequentam mais as instituições educacionais, como os idosos. Espera-se, com isso, permitir um acesso mais seguro e igualitário ao meio virtual.