A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 11/01/2021

O artigo 5°, da Constituição Federal de 1988, defende o direito pleno de qualquer cidadão. No entanto, percebe-se uma lacuna na garantia desse direito na questão da educação, o que, além de grave, torna-se um problema inconstitucional. Dessa forma, observa-se que o analfabetismo digital reflete um cenário desafiador, seja em virtude de legado histórico, seja pela lenta mudança na mentalidade social.

Convém ressaltar, a princípio, que o legado histórico é um fator determinante para a persistência do problema. De acordo com o pensamento de Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Nesse sentido, o analfabetismo digital, mesmo que fortemente presente no século XXI, apresenta raízes intrínsecas à história brasileira, o que dificulta ainda mais sua resolução.

Além disso, cabe ressaltar que a lenta mudança da mentalidade social é um forte empecilho para a resolução do problema. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social alienado, a tendência é adotar esse comportamento também, o que torna sua solução ainda mais complexa.

Portanto, para que o analfabetismo social deixe de fazer parte da realidade brasileira, medidas precisam ser tomadas. Logo, é necessário que as prefeituras, em parceria com o governo do estado, proporcionem a criação de oficinas educativas, a serem desenvolvidas nas semanais culturais dos colégios estaduais. Esses eventos podem ser organizados por meio de atividades práticas, como dramatizações, dinâmicas e jogos, de modo a proporcionar a visualização do assunto, além de palestras de sociólogos que orientem os jovens e suas famílias, com embasamento científico, a fim de efetivar a elucidação da população sobre o tema.