A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 12/01/2021

O contexto da Quarta Revolução Industrial é marcado pela robótica, inteligência artificial e constante inovação e criação de tecnologias que assistem o desenvolvimento produtivo e humano. No entanto, na contemporaneidade, enfrentam-se impasses relacionados à questão do analfabetismo digital no Brasil. Nesse sentido, é possível ressaltar ora a irresponsabilidade na aplicabilidade de ferramentas digitais, ora o conhecimento de uso não democrático de tais meios por fração do corpo social, como causas frente ao emergente fenômeno.

Em primeira análise, é necessário avaliar como o brasileiro faz uso equivocado e se torna refém de tecnologias no cotidiano. Nesse especto, segundo o pensamento de Hannah Arendt, dentro do conceito de “Banalização do mal”, as atrocidades da humanidade não provêm da malevolência humana e sim da falta de reflexão. À vista disso, é possível depreender que, a analfabetização também está presente na incapacidade de refletir sobre o que é verídico e o que é falso nas mídias sociais, tais entraves implicam em um processo de irresponsabilidade por parte de usuários sobre o que está sendo disseminado. Sendo assim, essa problemática remonta um temor pela potencialização da desinformação e a deturpação da função da tecnologia como meio confiável na difusão de informação.

Outrossim, a não democratização do knowhow relativo às ferramentas inovadoras da modernidade constitui um processo excludente e que impede que fração da população usufrua delas. Sob esse prisma, no ano de 2020 foram aprovadas inúmeras sanções que permitiram a criação de inúmeros documento digitais. Tal ideia, portanto, relaciona-se ao pensamento do dramaturgo irlandês George Bernard Shaw, que a tecnologia e ciência nunca resolvem um problema sem criar pelo menos outros dez. Sob essa perspectiva, ainda que o uso de tecnologias crie uma série de benesses aos humanos, é fato que parte significativa da população é deslocada pelo fato de não saber como fazer uso de tais ferramentas, ficando reclusa de benefícios, nesse sentido, a intervenção governamentel surge como um passo essencial para romper com tal conhecimento não democrático.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater o analfabetismo digital no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação disseminar o conhecimento das funções e práticas de aparelhos tecnológicos e a confirmação de veracidade das informações. Tal objetivo, portanto, deve ser cumprido por meio da implementação de aulas com profissionais da área em praças de uso comum e nas escolas públicas para todos os públicos e crianças desde o Ensino Fundamental, visando cumprir com a ideia de educação digital, isto é, questionar o que é tido como verdadeiro e aprender a usá-la como meio de inclusão social. Assim, o Brasil coadunará com o desenvolvimento humano previsto pela Indústria 4.0.