A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 12/01/2021

O analfabetismo digital diante da cibercultura

No filme “O doador de memórias", a população vive em um mundo ideal, ao passo que as memórias ruins são retiradas das pessoas (sem que elas saibam) e protegidas por um guardião, que é quem possui o conhecimento. De maneira análoga, ao debater sobre a influência do universo digital, é possível comparar o longa com a realidade de muitos brasileiros, visto que, muitos cidadãos se encontram alienados em virtude do analfabetismo digital no Brasil, o que se configura como um grande desafio. Destarte, é importante salientar a disparidade socioeconômica e a privação de direitos tal problema gera no país.

Outrossim, o Brasil tenta incluir o meio digital cada vez mais na realidade social da população, entretanto, ainda existem muitos obstáculos, sobretudo os socioeconômicos. Mesmo que, recentemente, tenha sido aprovada a lei 14.109/2020, que visa promover a melhora da qualidade das redes e serviços de internet, na busca da redução da desigualdade, o cenário atual é contrastante com relação à disponibilidade de acesso. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018, 1 a cada 4 brasileiros não têm acesso à rede. Dessa forma, a inviabilidade de acesso agrava o entrave social.

Ademais, é imperativo destacar que o analfabetismo digital amplifica a desigualdade de acesso a direitos previstos no artigo 6º da Constituição de 1988, tal como o lazer. Conforme elucidado por Pierre Levy, no livro “Cibercultura”, o atual contexto histórico se dá em um mundo conectado, que se expande para as relações socioculturais, de modo contínuo e indissociável. A partir disso, faz-se presente que, com o mundo codependente da tecnologia, seja para o lazer, como assistir filmes e séries, seja para transações financeiras, como receber o auxílio emergencial, aqueles que não sabem utilizar dos recursos digitais dispostos, são prejudicados, sendo cruelmente limitados em uma interação social plena.

Posto isso, é imprescindível que a alfabetização digital seja amplamente difundida no país. Para tal, o Poder Executivo, por meio do Ministério da Cidadania, deve promover oficinas semanais nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), voltadas para o público em geral, em especial os mais velhos. Tais encontros devem buscar promover o “letramento digital”, mostrando as principais ferramentas de acesso e recursos disponíveis na internet. Para que, desta maneira, mais cidadãos tenham conhecimento a respeito dos recursos digitais e possam ser socialmente incluídos na cibercultura.