A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 13/01/2021
Desde a Revolução Industrial, surgida na Europa no século XIX, o mundo beneficiou-se de diversos privilégios oriundos da ampliação da tecnologia como um todo. Entretanto, do mesmo modo pelo qual todo novo processo requer certa adaptação, coube à sociedade inseri-lo em seu cotidiano, porém muitas pessoas, vítimas de exclusão digital e informacional, foram prejudicadas com questões como o do analfabetismo digital no Brasil. Nesse sentido, tanto a falta de formação no âmbito educacional, quanto o acesso desigual de direitos contribuem para a persistência da problemática.
Em primeira instância, vale salientar a interferência da falta de uma conduta educativa formadora. Segundo Roger Chatier, grande historiador contemporâneo, a escola deve funcionar de modo a ser uma ponte em que o poder público intervém na formação da sociedade, inclusive, no âmbito digital. Assim, quando as instituições não ofertam uma formação para os alunos dominarem as ferramentas tecnológicas desde a infância, tais indivíduos tendem a apresentar dificuldades ao lidar com esses mecanismos, sem instrução para utilizá-las da forma correta. Tal análise é comprovada pelo “Relatório anual The Inclusive Internet Index 2019”, que traz o Brasil na 66ª posição no quesito de preparo, que abrange a categoria alfabetização digital. Desse modo, enquanto o ambiente escolar não preparar devidamente os seus discentes o entrave do analfabetismo na seara da tecnologia perdurará. Outrossim, a corroboração da circunstância se deve às desigualdades presentes. Segundo o artigo 218 da Constituição Federal do Brasil, “é dever do Estado promover e incentivar o desenvolvimento científico, a pesquisa, a capacitação tecnológica e a inovação”. Por essa lógica, é inferível que essa não é uma política bem executada no Brasil, visto que há, dentro do Estado, uma enorme negligência ao oferecer uma igualdade no acesso às inovações digitais, no suporte de infraestrutura e na instrução que garanta uma eficaz alfabetização digital no país. Essa lógica é comprovada, pois, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma em cada quatro pessoas no Brasil não tem acesso à internet, um total de 46 milhões. Dessa forma, as divergências de direitos afetam toda a nação, pois dificultam seu progresso e impedem que muitos tenham acesso às mobilidades digitais e uma educação mais ampla.
Diante do exposto, portanto, é imprescindível que caminhos sejam analisados para minimizar o analfabetismo digital no Brasil. Logo, o Ministério da Educação, órgão responsável pelas políticas nacionais educativas, deve elaborar projetos nas escolas, mediante aulas contextualizadas e cursos gratuitos -envolvendo alunos e comunidade- com a introdução e o debate acerca do ensino tecnológico na grade curricular do país. Tudo isso para educar e construir uma sociedade mais analítica.