A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 12/01/2021
O desenvolvimento tecnológico, decorrente da Primeira Revolução Industrial, tem evoluído consideravelmente no século XXI. Entretanto, apesar da suposta facilidade dos recursos digitais, tal desenvolvimento não ocorre de forma uniforme e democrática. Diante disso, no Brasil, o analfabetismo digital é uma problemática recorrente. Por essa razão, a fim de discorrer as causas vertentes dessa mazela, no que se refere ao acesso das novas tecnologias, faz-se necessário evidenciarmos a desigualdade e a influência do Estado no processo de exclusão dos analfabetos digitais.
Primeiramente, aponta-se a desigualdade socioeconômica no Brasil como grande razão da propagação do analfabetismo digital. Nesse sentido, de acordo com o índice de Gini, medida que classifica o grau de desigualdade no país, o Brasil está entre as 10 nações mais desiguais no mundo. Ou seja, grande parcela da população, embora inserida em um contexto tecnológico, vive em uma disparidade quanto ao acesso às novas tecnologias, o que resulta na falta de familiaridade com o uso de tais ferramentas. Assim, parte do povo brasileiro, em decorrência das condições sociais, é impossibilitada do acesso digital, o que agrava a entrave.
Ademais, é importante frisar que o papel do Estado, quando não funciona equiparando esses niveis de desigualdade, acaba por fomentar o analfabetismo digital. Nesse contexto, o jornalista e escritor Dimenstein destaca que o Estado corrobora com tais disparidades quando, apesar de instituir em documentos legislativos a igualdade de direitos civis, exclui parte da sociedade civil dessas concessões sancionadas na Constituição. Por essa razão, para que o Brasil não colabore com a exclusão dos analfabetos digitais, é preciso que as novas tecnologias cheguem uniformemente a toda população, tornando democrático o avanço digital.
Portanto, em virtude de derriscar o analfabetismo digital no Brasil, respeitando a ordem dos direitos cívicos e promovendo avanço justo e igualitário, medidas iminentes devem ser tomadas. Por isso cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério da Educação, estabelecer pontos de acesso gratuito à rede de internet e aos aparelhos eletrônicos devidos. Nesse cenário, escolas e edifícios públicos, como bibliotecas e outros espaços, terão recursos para promover a alfabetização tecnológica tangente ao desenvolvimento no país. Feito isso, o Brasil poderá gradativamente mudar o quadro exposto pelo índice de Gini.