A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 12/01/2021
Sancionada em 1988, a Constituição Federal, prevê o direito à cidadania, representado pelo gozo aos direitos civis por todos os habitantes do território nacional. A ONU, em 2019, apontou o corte ao acesso à internet violação de direitos de propriedade intelectuais. Nesse sentido,destaca-se como primordial o acesso ás novas tecnologias e o uso eficaz dos dispositivos digitais. Entretanto, é inegável a ausência de coerência entre o que está exposto no papel e a realidade, o que torna o a ausência de familiaridade digital uma anomia dentro do sistema. Por isso, a fim de discorrer o analfabetismo digital, faz-se necessário considerar a desigualdade quanto ao acesso dos aparelhos digitais e, ainda, a contraditória exclusão de brasileiros da suposta cidadania legal o passo que o Estado não garante educação.
Primeiramente, é relevante considerar a desigualdade socioeconômica como fator que propicia a falta de familiaridade com o ciberespaço. Nesse contexto, o índice de Gini, marcador geográfico de desigualdade no país, aponta o Brasil como um dos 10 países mais desiguais no mundo. Dessa forma, para propiciar o avanço tecnológico na mesma medida em que se ampara o analfabetismo digital, é importante que a população tenha acesso às tecnologias, pois somente assim, terão conhecimento digital adequado para acompanhar as transformações no país.
Ademais, outro ponto relevante é a exclusão da cidadania que, embora esteja garantida nos papeis, é negligenciada pelo Estado quanto ao seu cumprimento em relação aos direitos de propriedade, sendo a internet, segundo atualizações da ONU, um desses. Em correlação a Dimenstein, a cidadania está garantida nos papeis, mas o Poder Público a negligencia quando exclui as camadas mais pobres. Ou seja, a educação tecnológica que é do cidadão por direito, quando desmazelada torna utopia a ideia de cidadania e acaba por fomentar o analfabetismo digital. É fato que sem os meios para prover o acesso à internet e outros aparelhos, não é possível educar-se digitalmente.
Portanto, torna-se evidente a necessidade de ações interventivas para minimizar o analfabetismo digital em todo território brasileiro. Para tanto, o governo deve investir em regiões menos favorecidas economicamente, para proporcionar condições igualitárias de acesso aos meios tecnológicos. Além disso, compete ao Ministério da Educação, órgão responsável pelas políticas nacionais educativas, por meio do amplo debate entre estado, professores e família, introduzir novos métodos eficazes e, consequentemente, promover a alfabetização da sociedade no tangente á tecnologia do país. Feito isso, o Brasil poderá gradativamente mudar o quadro exposto pelo índice de Gini e garantir a cidadania do povo brasilero.