A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 12/01/2021

Durante o período da Grécia Antiga, grande parte da população não tinha acesso à educação e aos livros por serem considerados socialmente inferiores, assim mantendo sua condição analfabeta hereditariamente. De forma análoga, o analfabetismo permanece presente no mundo hodierno atrelado à tecnologia. Nesse sentido, a ausência de oportunidades à alfabetização digital igualitária perpetua as estruturas desiguais e excludentes na sociedade brasileira. Por isso, sua democratização é essencial não só para possibilitar uma mudança na realidade de famílias vulneráveis economicamente, mas também para equalizar as chances de aprendizado da camada marginalizada.

Em primeira análise, a falta de intenção em incluir diversos grupos sociais no aprendizado digital, por parte do governo, é a principal causa do seu desconhecimento no ramo tecnológico. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, é necessário que as pessoas tenham acesso aos bens intelectuais e culturais da sociedade para então saírem de uma condição não privilegiada. Sob essa ótica, o dinâmico avanço da tecnologia informacional e comunicacional, ao longo dos anos, contrasta com um estático desenvolvimento no que tange à acessibilidade e ao aprendizado entre os mais pobres e os idosos, por exemplo. Desse modo, esses grupamentos sociais permanecem excluídos socialmente e, por consequência, são impedidos de obter empregos no mercado de trabalho.

Ademais, o processo contínuo de transformação digital no país restringe gradativamente os possíveis detentores de tal conhecimento. De acordo com o educador Paulo Freire, em sua obra “A Pedagogia do Oprimido”, a classe dominante induz a permanência proposital da opressão sob a massa popular, à medida que retém o acesso igualitário à informação. Diante disso, é perceptível que a alfabetização democratizada no âmbito tecnológico é impedida devido ao não alcance de materiais voltados a esse campo pelos indivíduos de maneira integral. Dessa forma, a possibilidade de usufruir dos benefícios digitais fica restrita àqueles que detêm poder aquisitivo.

Urge, portanto, a democratização no que concerne à acessibilidade digital por todas as camadas existentes. Cabe ao Poder Executivo, juntamente ao Ministério da Educação, fornecer o acesso equânime ao ramo tecnocientífico por meio da implementação de aulas sobre educação tecnológica nas escolas públicas e privadas obrigatoriamente. Essa ação visa a equalizar as oportunidades em diversos âmbitos sociais para futuras gerações, visto que essa é uma ferramenta imprescindível para a inclusão socioeconômica. Logo, a sociedade poderá erradicar a condição de analfabetismo, a qual os gregos não conseguiram mudar.