A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 13/01/2021

O lema da bandeira brasileira, “Ordem e Progresso”, foi inspirado pela corrente filosófica positivista do século XIX, devido aos grandes avanços científicos que ocorreram nesse período. Todavia, esse status diverge da situação do país, visto que a questão do analfabetismo digital no Brasil configura-se como um problema que vem se agravando ao longo das últimas décadas. Nesse contexto, percebe-se que o povo não acompanha o ritmo de evolução das inovações tecnológicas, dado o baixo nível de educação digital em paralelo ao acesso desigual à tecnologia. Destarte, urge a necessidade de medidas que não apenas contenham, mas sim revertam esse quadro de analfabetismo no Brasil.

Em primeira análise, o despreparo da população brasileira para lidar com a nova realidade virtual imposta pela Quarta Revolução Industrial, responsável por fundir o mundo físico ao digital, é um fator preocupante. Em sua obra, “Utopia”, Thomas Morus descreve uma sociedade perfeita, contudo, como o próprio título diz, não existe. Partindo desse princípio, pode-se afirmar que os avanços técnico-científicos do século XXI, especificamente, ocasionaram nos seres humanos uma visão perfeita, porém irreal, da realidade virtual, levando-os a esquecer que é conveniente aprender a usar essas novas ferramentas digitais de forma correta. Desse modo, a maioria dos usuários que consomem tecnologia não possuem noção de como utilizá-la a seu favor, tornando-se analfabetos em relação à ela.

Outrossim, é preciso reconhecer que há uma desigualdade socioeconômica entre os brasileiros, o que impossibilita alguns deles de proverem de produtos eletrônicos. Segundo o autor George Orweell, em seu livro “A Revoluação dos Bichos”, ele afirma que apesar de os indivíduos de uma sociedade nascerem iguais, alguns são mais iguais do que outros. Sob tal ótica, entende-se que nem todos gozam do privilégio de ter comida na mesa ou acesso à educação, por exemplo, o que deixa subentendido que também não há condições de comprar os industrializados derivados da tecnologia. Dessa forma, a dificuldade em lidar com os fatores digitais presentes no dia a dia, como um caixa eletrônico, por questões econômicas, resulta no acirramento do analfabetismo digital.

Fica claro, portanto, que o despreparo educacional em conjunto com a desigualde social devem ser combatidos para reduzir o analfabetismo digital no Brasil. Diante disso, cabe ao Ministério da Educação declarar Educação Digital como disciplina obrigatória desde o ensino infantil ao médio, por meio da contratação de especialistas em tecnologia para ministrar as aulas. Essa medida deve valer para escolas públicas e privadas, a fim de educar o máximo de alunos possíveis sobre como usar uma ferramenta digital corretamente. Sendo assim, o Brasil poderá arcar com a definição progressista de seu lema.