A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 16/11/2021

A quarta revolução industrial mostra-se relacionada à questão digital, na qual o uso de tecnologias avançadas faz-se imprescendível para acompanhar as novas tendências do mundo globalizado. Nesse cenário, o adequado manejo de ferramentas digitais é necessário para evitar a marginalização e a exclusão desse atual processo. Com efeito, a falta do ensino acerca dessas novas utilidades e a ausência de políticas públicas que combatam o analfabetismo digital no Brasil favorecem a perpetuação da problemática na sociedade. Cabe-se, então, reverter essa caótica deficiência no país.

Em uma primeira análise, o complexo panorama de analfabetismo digtal ergue-se como subproduto da reduzida presença desse tipo de conhecimento nas escolas. Isso porque o ensino atrelado as novas questões contemporâneas - como o mundo digitalizado- não fazem parte da base curricular comum em vigência no Brasil, haja vista a preferência, muitas vezes, por modelos antigos de ensino, os quais são baseados em períodos em que não haviam os avanços tecnológicos da contemporaneidade. Antonio Gramsci, nesse sentido, afirmou que a escola possui como objetivo manter o “status quo” ditado pelos dententores do poder, o que é corroborado pelo ensino técnico e conservador, ratificando, em grande medida, a desimportância estratégica em outras atividades - como o ensino das novas tecnologias- dada pelo sistema educacional do país. Dessa forma, o analfabetismo digital perpetua-se na sociedade.

Ademais, vale ainda ressaltar que a planejada secundarização estatal da pauta atrelada a questões do manejo do meio digital pelos indivíduos mostra-se um entrave para resolução do problema. Essa correlação pode ser estabelecida em decorrência da ausência de investimento em cursos técnicos que visem auxiliar a população - sobretudo a mais idosa-, uma vez que esse grupo etário tende a possuir mais dificuldade na correta utilização das tecnologias, o que as afasta da realidade virtual. Segundo Simon Schwartzman, a partir do conceito de “Neopatrimonialismo”, o Estado se apropria de sua função pública para satisfação própria de seus interesses particulares, o que se afasta da busca pela erradicação do analfabetismo digital no Brasil. Logo, é um entrave para erradicar essa triste situação.

Torna-se evidente, portanto, que a falta de ensino focado nas novas demandas do mundo moderno e a falta de investimento nessa área erguem-se como perpetuadores dessa problemática no país. Para reverter esse quadro, é preciso que o Poder Executivo, por intermédio do Ministério da Educação, faça, em conjunto com profissionais capacitados, a criação do projeto “digital na mão”. no qual ocorra o ensinamento de estratégias para utilizar essa ferramenta. Isso deve ocorrer por meio de oficinas que estimulem o uso da tecnologia, a fim de permitir a adesão social à nova realidade global. Espera-se, assim, que, de fato, o grave analfabetismo digital pertença apenas ao passado do Brasil.