A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 12/01/2021

A Terceira Revolução Industrial, iniciada no século XX, possibilitou a expansão da tecnologia em todo o mundo. Entretanto, ao observar-se o cenário brasileiro hodierno, percebe-se que a internet, serviço que se desenvolveu durante o período, ainda não contempla a todos, haja vista a sua acessibilidade não democrática. Dessa forma, essa problemática possui como causas não só a desigualdade social, mas também a lesiva inércia pública.

Nessa perspectiva, a desigualdade social é uma das principais causas do analfabetismo digital no Brasil. Sob essa lógica, de acordo com o jornal Data Folha, a maior parte da renda do país se concentra em menos de 30% da população total, esse fato comprova que essa parcela desprivilegiada tem muitos dos seus direitos excluídos, como o acesso à internet, uma vez que seu uso necessita de gastos, por exemplo, o valor do aparelho digital e o plano de internet. De maneira análoga, esses dados hediondos favorecem o entendimento do pensamento de Ariano Suassuna, escritor brasileiro, que defende a existência de um injustiça secular capaz de dividir a sociedade em duas vertentes: a dos favorecidos e a dos despossuídos.

Outrossim, a inércia estatal permite que essa problemática persista nos dias atuais. Nesse sentido,a Constituição Federal garante que a inclusão digital é direito de todos os cidadãos, no entanto, as ações governamentais em prol dessa causa são escassas e ineficientes. Sob esse âmbito, é indispensável que haja uma mudança de postura no combate a esse problema, por meio de projetos de inclusão social e ações comunitárias incentivadas pelo Estado. Assim, essa situação desprezível será amenizada.

Portanto, diante dos argumentos supracitados, medidas são necessárias para resolver a questão do analfabetismo digital. Cabe aos Ministérios da Educação e da Cidadania atuar de maneira conjunta com as instituições de ensino, para possibilitar o acesso aos meios digitais nas comunidades carentes, por meio de investimentos na infraestrutura das instituições de ensino, como a instalação de internet e a disponibilização de computadores, a fim de tornar esse acesso democrático e assim, combater a problemática. Ademais, para sanar a situação de desigualdade social, é fundamental que o Ministério da Economia atue na redistribuição de renda, por meio de incentivo a geração de empregos e capacitação profissional, como o investimento em escolas técnicas que possibilitem o ingresso de alunos com bolsas de 100%.