A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 12/01/2021

Ainda na década de 1960, o filósofo canadense Herbert McLuhan cunhou o termo aldeia global com o objetivo de mostrar que as tecnologias digitais tendem a encurtar as distâncias do planeta, reduzindo-o à situação de uma aldeia: uma realidade em que todos estão interligados. No entanto, esse amplo acesso à internet que vivencia-se hoje não reflete a realidade de difícil interpretação e utilização das ferramentas tecnológicas, gerando uma massa de analfabetos digitais. No Brasil, os dispositivos digitais trouxeram muitos benefícios, mas ainda há diversos problemas enfrentados quanto ao analfabetismo.

De início, é necessário salientar que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018, 80% dos domicílios brasileiros tinham internet, com tendência de aumentar nos próximos anos. Esse dado revela que houve uma popularização da internet, levando muitas vantagens para as pessoas, como possibilidade de ampliar o conhecimento e se informar com segurança através de pesquisas, estudos e sites de notícias; ter contato instantâneo com pessoas em qualquer lugar do mundo; acesso à diferentes culturas e suas diversidades, fato que contribui para uma construção humana mais tolerante; além de também poder buscar entretenimento para se divertir.

Entretanto, ter acesso ilimatado à rede de comunicações e suas ferramentas não significa saber utilizá-las. De acordo com um relatório elaborado pela conceituada revista britânica The Economist, em um ranking de 100 países, o Brasil ocupa a 66ª posição quanto a alfabetização digital, informação preocupante, pois para uma nação que está entre as dez maiores economias do mundo, seria condizente ter uma população com amplo conhecimento informacional. Desse modo, grande parte dos usuários não sabem desenvolver atividades básicas como fazer uma pesquisa ou entrar em plataformas de notícias e entretenimento e, com isso, tornam-se alienados as informações, e podem ser facilmente manipulados por qualquer notícia que circula em mídias sociais como o whatsapp.

Infere-se, portanto, que algo precisa ser feito para amenizar a questão do analfabetismo digital no Brasil. Logo, compete ao Ministério da Educação, por meio de um direcionamento maior de verbas para a educação e amplo debate com a escola e família, incluir na base nacional curricular, desde o ensino básico, aulas sobre a utilização da internet e todos os seus mecanismos em salas específicas com computadores e tablets voltadas ao ensino digital. Assim sendo, ao aprender sobre a utilização das ferramentas digitais e como se instruir através da internet com sua gigantesca possibilidade de conhecimento, os alunos levarão para casa esse aprendizado e, ao compartilhar com seus familiares, poderão contribuir para a massificação do discernimento digital. Dessa forma, será possível construir um país com engajamento digital que favoreça o desenvolvimento político e social.