A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 12/01/2021

O escritor Douglas Adams citou: “Tecnologia é uma palavra que descreve alguma coisa que ainda não funciona”. Sob essa ótica, o cenário tecnológico brasileiro foi construído com inúmeras restrições, sendo a do acesso populacional a mais evidente delas, gerando problemas como o analfabetismo digital. Embora a sociedade esteja inserida em um meio computacional, a segregação da informação tecnológica tomou proporções que saíram das redes da “web” e atingiram o cotidiano, como a não qualificação para um emprego e o uso incorreto da internet. Dessa forma, é clara a não atuação do governo e sociedade, os quais são responsáveis pela sociedade brasileira.

Em primeira análise, é licito postular que a inclusão dos cidadãos no ambiente digital é de suma importância social, econômica e para o desenvolvimento do país. Porém, desde 1988, quando houve a inserção da internet no Brasil, o acesso restrito permeia em seu uso, pois os serviços prestados a população de baixa renda são inacessíveis, seja por valor ou pela falta de conhecimento de como manusear. Dentro desse prisma, a socialização tecnológica encontra-se inerte, pois as ações governamentais de inclusão e instrução ao uso correto das redes não ocorrem, deixando os usuários brasileiros à mercê de perigos cybernéticos, como roubo de dados pessoais e exposição indevida de imagem.

Nesse espectro, a sociedade brasileira se constituiu “desinformatizada”, embora possua aproximadamente 134 milhões de usuários nas redes, segundo a Agência Brasil, a população não possui o conhecimento necessário para o uso benéfico das ferramentas digitais, as quais estão sendo utilizadas de maneira frenética em vários setores, como: educacionais, trabalhistas e econômicos. Sendo assim, os não adeptos a tecnologia sofrem as consequências da falta de comunicação, resultando no isolamento dessas pessoas, aumentando as barreiras ao estudo e acentuando as diferenças sociais. Destarte, são inúmeras as providências que devem atuar para que haja a reversão de tal perspectiva.

Em suma, fica evidente que o analfabetismo digital atuante na sociedade brasileira é responsável pela segregação e falta de qualificação social. Portanto, o Ministério da Educação, Cidadania e Economia, devem atuar na criação de programas de incentivo e educação tecnológica implantados nas escolas, visando o aprendizado desde a base, como também, na criação de um Auxílio Internet para a inserção da população de baixa renda no panorama digital. Dessa maneira, o corpo social brasileiro contribuirá com um maior avanço no desenvolvimento nacional, ocasionando a fuga utópica e a construção de uma realidade funcional.