A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 12/01/2021
A Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, garante a todos o direito à educação. Contudo, em relação aos conhecimentos tecnológicos, verifica-se que a questão do analfabetismo digital encontra-se cada vez mais distante da realidade pregada pela Carta Magna. Nesse aspecto, os principais problemas advindos da temática encontram-se na falta de acesso à tecnologia e na omissão educacional estatal.
A princípio, é evidente o abismo de acesso tecnológico existente entre as classes mais e menos abastadas. Nesse sentido, conforme o índice de Gini, que mede a desigualdade social, o Brasil é um dos dez países mais desiguais do mundo. Portanto, em razão dessa desigualdade, nem todos tem condições de adquirirem equipamentos modernos, o que faz com que tais ítens tecnológicos sejam de pouco conhecimento de parte da população, uma vez que o contato é um meio de aprendizado. Assim, é inaceitável que mudanças não sejam feitas para alterar essa realidade.
Em um segundo momento, faz-se necessário abordar a omissão governamental no que tange à temática. Nesse diapasão, o filósofo Nicolau Maquiavel, na obra “O Príncipe”, ensina que o governante que almeja se manter no poder deve buscar o bem universal. Porém, não é o que se observa em relação ao conhecimento digital, posto que as diretrizes de ensino nacionais continuam por forçarem um aprendizado ortodoxo e desvinculado dos avanços tecnológicos exigidos para inserção no mercado laboral. Por conseguinte, não haverá mudanças quanto ao analfabetismo digital enquanto não se alterar o modo de ensinar.
Por fim, para a solução da problemática, medidas devem ser tomadas. Nesse deslinde, cabe ao Ministério da Educação, por meio de parcerias com empresas do ramo tecnológico, inserir a cultura digital no dia a dia dos colégios. Tal inserção ocorreria pela reestruturação do meio de ensino, de forma a torná-lo mais moderno, com o objetivo de possibilitar que a tecnologia seja natural para todos. De tal modo, finalmente, poderia o Brasil ser um País com menos analfabetos digitais e de menor desigualdade.